Sábado aproveitei a tarde livre para melhorar a aparência. Fui aparar o que me resta de cabelos, poucos, mas valentes. Ao chegar ao salão eu soube do assalto. Fanta fazia a sua caminhada diária pela orla do Itaguá quando foi abordado por dois meliantes que aparentavam 22 anos de idade. Depois de ameaçar o bravo cabeleireiro com uma arma camuflada sob a camisa, um deles disse: - Passe a grana. E o relógio. E o tênis. Se reagir leva chumbo! Limparam o Fanta que teve a sabedoria de não reagir, apenas balbuciou: - Humphf! Não deve ter sido entendido pois os amigos do alheio lhe surrupiaram cinco reais em espécie, sendo duas notas de dois reais e uma moeda daquelas bonitas que não preciso dizer o valor, - meus leitores são bons de contas de mais - o relógio chinês de também cinco reais e um par de tênis usado. Um ano de uso, o pé direito começando a furar. Fanta ficou descalço na orla meditando sobre a violência, mas deixou claro que um dos ladrões foi gentil na despedida, até disse um respeitoso vai com Deus. Suponho que tenha sido o ladrão bom, o mau deve ter vendido o relógio e o tênis no mercado negro. Ou pode ter sido manobra para despistar. O mau se fez passar por bom para confundir as investigações. Será que isolaram a cena do crime? Na verdade os biltres estão com um mico nas mãos. O mercado negro não deve ter aceitado o tênis e, suponho, nem quis conversar sobre o relógio. Os novos modelos "Made in China" são mais eficientes e custam apenas três reais. E vêm com mp3 e câmera digital.
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
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