Diz o aforismo que não cabe arrependimento quanto à seta lançada, à palavra proferida e à oportunidade perdida. Ditados populares expressam o óbvio. São estratégicos, se empregados na hora certa conferem status. Se eu fosse político teria um caderninho repleto deles. No momento há um caso policial em evidência que seria revertido se os envolvidos tivessem uma segunda chance. É aí que eu entro. Estou ultimando um artefato que evitará choro e ranger de dentes e me tornará milionário. Logo direi adeus aos leitores, vou comprar um helicóptero, um aerolula e viajar pelo mundo afora fazendo metáforas futebolísticas e falando mal de tucanos. Meu produto é uma caixinha com um único botão que uma vez acionado faz o tempo recuar até o instante desejado pelo usuário. Atingido o objetivo a caixinha se autodestruirá em cinco segundos e a vida seguira seu curso sem erros a lamentar. Muitos filhos indesejados não virão ao mundo, muitos acidentes serão evitados e a taxa de sofrimento descerá a níveis nunca d’antes vistos. Em breve farei o lançamento, enquanto isso é bom moderar o temperamento, acidentes acontecem. Eu serei o primeiro usuário, vou voltar quatro anos e mudar o voto de 2004. Errei, mas quem não erra?
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
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