Seja bom e você voltará na forma de urubu. Como acontece com todos os seres encarnados há um sapo a pagar no processo de evolução cármica, a comida não é lá das melhores, mas é farta e gratuita. Não há predadores a temer. O ser humano que come tudo o que é vivo não o tem como iguaria, além de respeitá-lo como parceiro na conservação do meio ambiente. Mas todas essas vantagens são irrelevantes se comparadas ao dia-a-dia, que consiste em voar aproveitando correntes térmicas. Não dá para descrever a paz de espírito que se segue a um vôo silencioso, contemplativo, se isso não é se integrar à natureza então eu definitivamente não sei o que é. Voar de planador é bom, mas voar com as próprias asas é um presente dos deuses, reservado aos bons. Vou sair procurando gatinhos em árvores e velhinhas com dificuldades para atravessar ruas. Quero voltar urubu. E voar, voar, voar...
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
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