Ubatuba recebeu um presente raro da natureza. Poucas cidades do mundo tiveram esse privilégio. Ubatuba não sabe zelar pela dádiva e desperdiça o seu maior atrativo. Fico imaginando o dia em que as praias da cidade estarão limpas, próprias para banho e nós ubatubenses poderemos encontrar os amigos para uma conversinha, um mergulho, um joguinho de frescobol. Que maravilha sair de casa para ir à praia apenas com a esteira nas costas e a sandália havaiana no pé, sem guardadores de carro, zona azul e aborrecimentos decorrentes. Uma vez limpas, as praias da cidade serão nossas e dos turistas que lotarão as pousadas, os hotéis e os restaurantes da orla. Nem vou falar da recuperação econômica que isso significaria, das possibilidades arquitetônicas que seriam abertas pela utilização pura e simples de um presente que Ubatuba insiste em não desfrutar. Eu disse uma vez limpas, as praias da cidade serão nossas e dos turistas. Hoje são dos cachorros, dos urubus e dos coliformes fecais que os quatro rios que deságuam na baía despejam diariamente. Um dia Ubatuba será governada por gente esclarecida e comprometida com a cidade. De que vale ter a paisagem acima e não poder dela desfrutar?
Nota do Editor: Sidney Borges é jornalista e trabalhou na Rede Globo, Rede Record, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo (Suplemento Marinha Mercante) Revista Voar, Revista Ícaro etc. Atualmente colabora com: O Guaruçá, Correio do Litoral, Observatório da Imprensa e Caros Amigos (sites); Lojas Murray, Sidney Borges e Ubatuba Víbora (blogs).
|