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Opinião
31/12/2022 - 07h25
Pacificação nacional, o objetivo maior
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

Não me consta que o País já tenha vivido um dia de posse dos eleitos sob tensão e medidas de segurança como as agora adotadas em Brasília e, possivelmente, em outras capitais onde as autoridades identifiquem possíveis riscos. Além das manifestações nas portas dos quartéis - que vêm desde o dia da divulgação dos resultados das urnas - já ocorreram os incidentes decorrentes da prisão do cacique Serere, onde veículos foram incendiados e houve tentativa de invasão da sede da Polícia Federal. O encontro da bomba no aeroporto, da bolsa de roupas sujas deixada próxima ao hotel e confundida com explosivos, e muitos informes intimida dores que podem ser “fake-news” mas ninguém tem disposição de esperar e “pagar para ver” se falsos ou verdadeiros, amedrontam a todos. Em dois momentos reconhecidamente difíceis - a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, (quando os militares obstavam a posse do vice João Goulart) e em 1964, quando o general Castello Branco assumiu, inaugurando o ciclo de governos militares que duraria 21 anos - não houve tanta tensão, pois tudo ocorria como coisa decidida e o povo não estava insuflado como atualmente.

Desta vez, mesmo com a inédita proibição do porte e transporte de armas em todo o Distrito Federal, a posse não terá a participação do Rolls-Royce conversível que desde os anos 50, quando o governo brasileiro o recebeu de presente da rainha da Inglaterra, transportou, em desfile, o presidente durante a solenidade de posse. As armas estão proibidas, mas sabe-se que isso não é obedecido pelos criminosos e, especialmente, por quem possa estar pensando em atentar contra a vida do presidente ou de qualquer de seus convivas. Recorde-se que, mesmo sabendo que é proibido, Adélio Bispo andou no meio da multidão com a faca que usou para golpear Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG). A propósito, a Nação até hoje ainda não sabe a motivação do ataque. Pode ter tido mandante ou não, dependendo do grau de desequilíbrio social e psicológico do agressor. E ainda mais: no atual quadro polarizado, ninguém é capaz de garantir a inexistência de outros potenciais psicopatas que possam fazer o mesmo a diferentes alvos e motivações ou mesmo sem motivo algum. Cautela é a melhor opção.

Mais importante do que a agenda que o novo governo pretende cumprir é a pacificação. A exacerbação dos politicamente divergentes é um perigoso componente deste momento na vida nacional. As lideranças das diferentes correntes de pensamento político têm o dever de atuar no objetivo de baixar os ânimos e desencorajar os atos extremados e de desobediência civil, que prejudiquem diretamente os praticantes, intranquilizem a população e possam gerar conflitos de consequências inimagináveis, até com o derramamento de sangue e o sacrifício de vidas.

As autoridades de todos os níveis precisam observar atentamente os seus deveres e prerrogativas e exercê-los plenamente sem, jamais, extrapolar para seara alheia. E, se a invasão de seu ocorrer, os titulares da área invadida não podem se acovardar porque, eleitos, são eles representantes do povo e em nome deste, têm a obrigação de manter íntegro o poder que lhes foi outorgado. Com cada um cumprindo fielmente suas obrigações, dificilmente haverá a interferência de um poder nas atribuições dos outros porque não haverá o espaço disponível e penetrável. Para isso, todos têm de agir com responsabilidade e, principalmente, dignidade.

Uma vez consolidada a posse dos eleitos, não haverá mais razão para os divergentes permanecerem em manifestações públicas. Mas a cessação desses atos tem, necessariamente, de ser fruto de negociação, jamais de truculência. Apesar de tudo, a tensão ainda se faz presente e a possibilidade de distúrbios também.

Espera-se que todos os atores desse momento atuem com boa vontade. Além de acalmar o povo, eles próprios também baixem a bola e evitem o nefasto clima de campanha eleitoral permanente que tanto mal tem feito ao país durante a última década. Quem está no governo precisa ter espaço e tranquilidade para cumprir o seu papel e executar os trabalhos que prometeu ao povo para conquistar o voto. E os que estão do lado de fora que se contenham para não prejudicar a execução dos serviços que o governo é encarregado de prestar à Nação. E se preparem para, na hora certa, apresentar suas propostas e, se conseguirem convencer, ganhar as futuras eleições.

O Brasil precisa de trégua. Não podemos viver permanentemente sob o discurso de terra arrasada e de criminalização das lideranças. O povo quer tranqüilidade para viver, produzir e ser feliz. Tudo o que atrapalhar esses objetivos, deve ser evitado.


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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