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Crônicas
28/05/2022 - 06h36
O II Festival da Cultura Cigana
Damião Ramos Cavalcanti
 

São diferentes, originaram-se nômades, sem endereço fixo, sem casa, perambulando pelo mundo afora, daí, desde então, com lenços, mas sem documentos; trabalhando sem carteira assinada, sem registros dos seus nomes, tampouco conta bancária. Mas com uma cultura própria, consequentemente com vestes e uma conduta até contrária ou contraditória à nossa. Pés descalços. Em 1980, vi, em Sevilha, um grupo de mulheres gitanas, em plena avenida, andando descalças, mas como algumas delas iriam à sapataria para provar sapatos altos, apropriados para dançar flamengo, a sapataria exigia que seus pés estivessem limpos, então elas estavam calçadas com sacos plásticos, desses de lojas e supermercados. Distinguiam-se, de repente, das sevilhanas que caminhavam com sapatos normais, roupas em cores condizentes, de tecido de luxo. O luxo cigano estava na boca, mulheres e homens costumam usar dentes de ouro.

Nos idos de 1950, ao entrarem a pé, na pequena pacata cidade de Pilar, causavam rebuliço: “Estão chegando os ciganos!”. Uns fechavam as portas, outros até as janelas, causando medo às crianças e aos mais crescidos, além do temor, preconceito e consequentemente injustiças. A ignorância não compreende e despreza uma cultura diferenciada da sua; a sua é a normalidade, o hábito, os costumes; a outra, o avesso, o contrário ou o estranho, quem sabe o alienígena. Ser assim, seja de Marte ou de outras terras longínquas, afronta e assusta a endocultura... Seriam necessárias educação, instrução e compreensão para se aceitar esse choque de etnia cigana e dar-lhe boas-vindas, a eles cansados, de suas intermináveis andanças.

Já que não têm registros, tampouco história escrita, a história é fundamentada muito por hipóteses e suposições, conforme os lugares por onde passaram, assim são retalhados os lugares do seu passado. Repito: faltam documentos... Suas tradições são transmitidas oralmente, nos seus próprios grupos, pelo processo de cultura in group ou endoculturação. Ou apenas a transmissão pela prática de hábitos e costumes nos seus quotidianos. É a continuidade da cultura. Caso os pais ou a família não transmitam sua cultura às novas gerações, acontecerá como em outras culturas que desapareceram. A cultura cigana, em todos os sentidos, vem de longe.

São marcantes suas passagens, quase como origens, no Paquistão, onde ocorreu a primeira diáspora cigana. Outras regiões também são citadas, como contribuintes à sua cultura: a Índia, o Paquistão, a Pérsia, o Irã, como também o Egito e, por proximidade, a Grécia. Denominados de gypsy, e quando chegaram à Europa, especialmente na Espanha, chamados de gitanos. Girando pelo mundo, a força das religiões dominantes criara estereótipos negativos quanto à religiosidade dos ciganos, que enfim, aculturaram-se nas religiões predominantes na Europa e aqui, depois que vieram dos países europeus à América Latina e de Portugal para o Brasil. O salutar é que, sem proselitismo religioso, respeite-se a cultura das suas práticas religiosas.

Mesmo nômades, ciganos e ciganas, da etnia Calon, inúmeros deles se estabeleceram em Sousa, pela acolhida dos sousenses, liderados pelo ex-prefeito e depois ex-governador Antônio Mariz Maia. Por esse fato, naqueles ranchos, muitos adultos, adolescentes e crianças se chamam, por gratidão, Antonio Mariz. Esquecem os nomes da família, colocando nas futuras gerações os nomes dos seus benfeitores. O Governador João Azevêdo, que certamente terá seu nome em alguma pessoa daqueles três ranchos, planejou, na sua política cultural, interiorizar o apoio à cultura, especialmente às culturas quilombola, indígena e cigana. Festejando-se nesse 24 de maio o Dia Nacional do Cigano, far-se-á, neste 28 de maio, em Sousa, o II Festival da Cultura Cigana.

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