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Crônicas
15/10/2021 - 05h43
Engenho: uma viagem ao passado!
Maria Angélica de Moura Miranda
 
 
MAMM 
  Fazenda Engenho D’Água, Ilhabela, SP.

Os colonizadores chegaram pelo mar, então as primeiras cidades foram organizadas à beira-mar. Na época seguíamos as normas da Colônia Portuguesa.

São Sebastião (SP), foi fundada em 1636, mas os registros nos mostram que a Vila já existia pelo menos 30 anos antes disso.

Quando descreviam as cidades, nos documentos enviados para Portugal, ele não falavam: “em São Sebastião existem 398 casas...” ele falavam existem 398 fogos, uma alusão ao fogão a lenha que cada casa tinha.

Nessa época começaram os primeiros “engenhos de cana de açúcar” e as “armações de baleias”. A armação de baleia tinha uma estrutura sofisticada para a época: armazém, tanques, tachos e outros utensílios onde se recolhiam os enormes animais, e em caldeiras tocadas por mão de obra escrava, aproveitavam seu óleo, sua carne, suas barbatanas, e até mesmo suas vértebras que eram usadas como bancos. Chegavam a matar até 59 baleias, que passavam por aqui na época de procriar. Neste ano de 2021 segundo o Projeto Baleia à Vista foram avistadas por aqui 125 baleias.

Os engenhos exigiam uma mobilização ainda maior, pois todo trabalho era feito por muita mão de obra escrava e tração animal. O terreno tinha que ser capinado, a cana plantada, depois esperar de 17 a 18 meses para começar a produção. Em 1801 a Vila de São Sebastião tinha 37 engenhos de cana de açúcar.

O trabalho começava com o corte da cana, depois elas seguiam para a moenda, e dali para caldeirões de cobre, que ficavam cozinhando a garapa. Quando virava o melaço ela era colocada em potes de barro para secar, e só aí depois que esse tijolos estavam secos, o açúcar era quebrado e seguia para a produção final, quando encaixotavam para ser exportado. A Vila de São Sebastião chegou a produzir em 1799, mais de 39.800 arrobas de açúcar.

Esse trabalho nas fornalhas e nas caldeiras, em baixo de alta temperatura era torturante, o fogo chegava a ficar 8 meses sem apagar, aconteciam muitos acidentes durante a moagem e essa preparação para transformar o caldo de cana em açúcar.

Os engenhos funcionavam como uma “indústria antiga”, que transformava o produto primário em açúcar e aguardente. Haviam os carpinteiros, pois muitas peças eram feitas de madeira, as cozinheiras que faziam a comida, os que administravam o trabalho dos escravos, tudo dependia de uma grande mobilização e organização para dar resultados.

A vantagem era que os navios entravam no canal entre São Sebastião e Ilhabela, para comprar diretamente do produtor. Eram produzidas ainda uma infinidade de coisas, em quantidades menores, inclusive café, que tinham mercado certo, tanto para outras regiões do Brasil, como para o exterior.

Nessa época, as primeiras fazendas e engenhos começaram a produzir no interior do estado onde a área de plantio era muito maior que aqui, com isso elas foram ganhando o mercado. Logo depois a Bahia e Pernambuco, já se consolidaram como maiores produtores de açúcar no Brasil.

Em 1804 houve a restrição ao livre comércio, e toda a produção tinha que ser encaminhada para o Porto de Santos, isso foi o que realmente desarticulou esta região. Os custos para levar a produção até o porto de Santos desanimou os donos de engenhos. Eles então passaram a produzir em menor escala.

Logo depois foram construídas as estradas de ferro até o porto de Santos, escoando melhor ainda a produção do interior do estado.

E o Litoral Norte viveu um período de decadência, que só se recuperou a partir de 1961 com a chegada da Petrobras, da abertura da SP-55 para Santos e a reconstrução da Rodovia dos Tamoios depois da tromba d’água de Caraguatatuba, quando finalmente começou a ocupação turística na região.

Ilhabela transformou-se então num dos mais importantes destinos turísticos do Brasil e a aguardente produzida aqui ficou famosa. Em 2015 a Prefeitura Municipal de Ilhabela desapropriou a Fazenda Engenho D’Água que está aberta para visitas, uma viagem ao nosso passado!


Nota do Editor: Maria Angélica de Moura Miranda é jornalista, foi Diretora do Jornal "O CANAL" de 1986 à 1996, quando também fazia reportagens para jornais do Vale do Paraíba. Escritora e pesquisadora de literatura do Litoral Norte, realiza desde 1993 o "Encontro Regional de Autores".
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