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COLUNISTA
Marcelo Sguassábia
11/01/2021 - 05h59
Rua dos Professores
 
 

A 7 de Setembro, na Pirassununga do fim dos 60/início dos 70, era a Rua dos Professores.

Em uma reta de uns 250 metros, se tanto, avizinhavam-se Fausto e Lourdes Victorelli, Sergio Colus, Waldecila Guelli de Godoy, Edirez Peres, Arcídio Giacomelli, Ivan Carvalho e a Dona Alda, que lecionava Matemática, da qual não me recordo o sobrenome.

Um pouco mais à frente, atravessando a linha do trem e o ponto de charretes, do lado esquerdo de quem desce em direção à Duque de Caxias, morava o Daniel Caetano do Carmo, queridíssimo Nezinho, proprietário do jornal “O Movimento”.

Pode ser que a rua abrigasse outros mestres, mas os que me lembro são estes. Dos citados, salvo engano, só permanecem entre nós as professoras Alda e Waldecila. Mas se contarmos as imediações - quarteirões fronteiriços à Rua 7, tínhamos outros fantásticos educadores. Zeli e Teresinha Veneroso, Ilka e Augusto Guelli, Jorge Devitte, o mundialmente famoso Manuel Pereira de Godoy, Vera Pavão e Odete Wegmuller (que embora não residindo por ali, é dona até hoje do lendário casarão ao lado do Clube Pirassununga).

Em frente à minha casa (antigo 53 da 7 de Setembro) residia outra professora, esta de piano: a Teresa Hildebrand, de quem também fui aluno.

Hoje, quase todos os mestres daquela rua batizam ruas com seus nomes. Alguns deles praças de esporte, Centro de Convenções e escolas.

Abro o computador, acesso o Google Maps e vou dando zoom. Do planeta para o Brasil, para São Paulo, para Pirassununga. Aproximo até o Professor Sergio Colus, que de terno e gravata sai de sua casa da 7 de Setembro e segue caminhando até a escola que leva seu nome. Uma afastadinha do mouse e a seta agora aponta para o velho Edirez, conduzindo um batalhão de meninos com uniforme de Educação Física. Desta vez não em direção ao quartel, onde costumavam ser as aulas, mas ao Complexo Poliesportivo que leva seu nome. Por último, o Fausto. Com diários de classe debaixo do braço e dando uma funda tragada no cigarro, deixa a casa do mosaico de peixes e ruma, em passos lentos, até o Centro de Convenções.

Esta é uma obra de ficção.


Nota do Editor: Marcelo Pirajá Sguassábia é redator publicitário em Campinas (SP), beatlemaníaco empedernido e adora livros e filmes que tratem sobre viagens no tempo. É colaborador do jornal O Municipio, de São João da Boa Vista, e tem coluna em diversas revistas eletrônicas.
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