No banheiro. Dois meninos estão olhando para dentro da privada, quando a porta é aberta repentinamente. - O que vocês estão fazendo aí? - Nada, mãe! - Nada, tia! A dupla vira-se e fica lado a lado, tapando a visão para a privada. - Como nada? - Assim... Nada, mãe! - É, tia! - O que vocês estão escondendo aí atrás? - Nada! - Nadinha, tia! - Vocês acham que eu sou boba, é? Fora daí! Fora! Fora! Me deixem ver! Os dois com expressões de réus confessos trocam olhares e apenas movem-se um passo para o lado, um para a esquerda e o outro para a direita, abrindo o caminho. Quando deixam a visão para a privada livre, ecoa o questionamento. - Mas o que é isso? Meu Deus! - Ué! Um gatinho, tia! - Isso eu sei, criatura! De onde vocês tiraram esse bicho? - Da rua, mãe... - Mas por que vocês fizeram isso com o bichinho? - É que a gente estava... estava... estava dando banho nele, mãe! - Meu! Acho melhor contar a verdade... - Podem tirar ele daí, agora! Onde já se viu dar banho em gato com a água da privada! - Meu! Conta a verdade... - Tá bem! Na verdade mãe a gente não estava dando banho no gato... a gente estava esperando ele fazer o número dois... - Ah, meu filho! Mas não é assim que se ensina gato a fazer o número dois. Tem que fazer um local apropriado, colocando areia, essas coisas. Não na privada, meu filho! Então, confessando a verdadeira intenção da operação armada, revela. - Isso eu sei, mãe! Mas é que a gente não achou um jeito melhor de resgatar a nossa bolinha de gude que o gato comeu junto com um pão! (*) Uma homenagem atrasada pela passagem do Dia das Crianças.
Nota do Editor: Rodrigo Ramazzini é cronista.
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