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COLUNISTA
Ernesto Cardoso
01/12/2005 - 07h01
A falta que faz um espaço
 
 

O acadêmico consagra-se na academia, o tribuno nos tribunais, o esportista nas pistas e estádios de atletismo, o escritor nas páginas de seus livros, nos jornais, nas revistas, o pintor nas telas das pinacotecas, o político nas assembléias legislativas e nos ofícios públicos, o cientista no laboratório, enfim, todo o artista, cientista, homem de letras, o pensador, bem como o atleta, o homem público e demais indivíduos talentosos, necessitam de espaços e ambientes adequados para demonstrar seus talentos, suas vocações, sua sabedoria e ciência, seus descobrimentos tecnológicos, sua maestria ou refinamento artístico, para receber das platéias, do público, da sociedade, a merecida consagração que o motiva e induz a alcançar cumes mais elevados de erudição, de qualidade artística, de performance atlética, de beleza oratória, de consistência científica e técnica. Há, pois, uma inter-relação necessária e muito proveitosa, entre o talento e seu adequado espaço de atuação e desenvolvimento.

Este intróito vem a propósito dos inúmeros talentos, aqui focados especialmente os artísticos, de que é dotada a sociedade ubatubense. São talentos musicais, teatrais, artes plásticas, dança e outros mais, para os quais faltam espaços adequados para sua exibição, seu desenvolvimento, sua apreciação pública, sua consagração.

Tomemos como exemplo a nossa talentosa Banda Sinfônica "Lira Padre Anchieta", fundada em 1959/60 como uma banda regular e que a partir de 1997 passou a se aperfeiçoar profissionalmente, inclusive a ter maestros graduados, os dedicados jovens Valdecy dos Santos e Amarildo Da Hora. Este grupo musical vem se apresentando regularmente em "Música na Praça", na Praça da Matriz, em concertos públicos gratuitos ao ar livre, em meio ao barulho reinante, à dispersão sonora, ao ruído do tráfego de pedestres e veículos, além de outros fatores negativos. Realiza, no entanto, um trabalho artístico notável, por todos os recantos de nosso município dentro do programa "Banda no Bairro"; entre nossas escolas no programa "Recital Pedagógico" e no projeto "Lira do Amanhã" dedicado à formação musical de crianças de Ubatuba; promove, extensamente, o ensino da música popular e erudita, despertando o gosto e o talento musical de nossos infantes e jovens, deliciando as platéias de todas as idades e matizes, propiciando o desenvolvimento de novos instrumentistas, a par de uma valiosa contribuição para o nosso lazer e dos turistas. É um trabalho de cunho educativo-cultural que conduz os jovens a um aprimoramento da personalidade e do caráter, pois, a música erudita eleva o espírito, abranda as arestas rudes do indivíduo, refina os hábitos, descortina imensos horizontes mentais, desenvolve inteligência múltipla, ensina disciplina, ordem, método, inspira harmonia a todos e a tudo em volta - é a linguagem universal por excelência. A "Lira Padre Anchieta", vem realizando,também, um trabalho de formação de conjuntos de música de câmara, com individualidade própria, como o "Sexteto-Caiçara", "Artigo Quinto", "Tupinambrás", além da "Retreta Maestro Pedrinho". A banda sinfônica, matriz de todos esses grupos, conta com mais de 30 componentes, a maioria estudantes avançados, alguns já formados, inclusive professores instrumentistas. É altamente dotada de talento, técnica e profissionalismo e conduzida com maestria e intensa dedicação de todos os integrantes. Falta-lhes, porém, o adequado espaço, como faltam-nos outros espaços para que nossos artistas possam consagrar-se e tornar-se elementos de enriquecimento da vida de nossa sociedade e atração para os nossos visitantes, os quais, aliás, atraídos pelos ensaios da banda aos sábados à tarde, na Fundart, não poupam elogios e exprimem surpresa diante do profissionalismo desses músicos.

Ninguém ignora o quanto o Festival Musical de Inverno é importante atração turística para Campos do Jordão; as bandas musicais para o município vizinho de Taubaté; o cinema que atrai milhares aos festivais de Gramado; a arte literária que tornou Paraty centro de atração mundial; a música sinfônica que distingue cidades como Campinas e Tatuí; a música operística para Manaus e tantas outras mais, pelo mundo afora, conhecidas pelos seus festivais, por seus teatros famosos, por sua arte, como Milão, Viena, Salsburgo, Veneza, Cannes.

Pois bem, faltam-nos aqui os espaços adequados ao desenvolvimento e consagração de nossos múltiplos e variados talentos artísticos. Estes dotes Ubatuba já os possui em relativa abundância e qualidade. Sua contribuição para a caracterização da cidade como um centro artístico depende de espaços apropriados ao desenvolvimento e consagração desses talentos. Caraguá e São Sebastião já possuem teatro, um espaço apropriado a bom número de apresentações culturais. Ubatuba tem em gestação um visionário Centro de Convenções, o qual, se for reformulado como um centro multivalente, poderia perfeitamente aglutinar sua intencionada destinação ao aproveitamento do que concretamente já temos e sabemos como desenvolver e aprimorar para se tornar forte atrativo turístico. Um Centro Cultural, multifuncional, dificilmente se tornará um "elefante branco" (ou da cor que lhe derem), ao contrário, poderá ser aquele elemento artístico que alavanque o fluxo turístico em todas as fases do ano. Ademais, estaríamos maximizando os benefícios de recursos escassos, demonstração de mais uma arte - a do economista.

Por fim, uma palavra de apreciação à nossa FUNDART e ao que ela vem propiciando em educação artística e cultural, já que a ela se deve o apoio a muitas destas atividades em curso no município, a despeito dela própria não possuir, até hoje, condições físicas adequadas para o desenvolvimento e a consagração de nossa arte. Possuímos um dos mais belos exemplares de construção colonial sendo corroído pelo tempo e pelos insetos - o Casarão do Porto, obra de rara beleza arquitetônica, atrativo ímpar, porém, lamentável demonstração de nossa incúria, até aqui demonstrada, em restaurá-la à sua beleza e dar-lhe utilidade prática. Pelo que estamos sabendo, todavia, novos rumos estão sendo tomados e podemos manter a expectativa de que em breve teremos restaurada essa valiosa peça arquitetônica que poderá vir a propiciar alguns espaços tão necessários ao nosso desenvolvimento artístico e cultural. Será um feito importante para a nova Administração Municipal.

Talentos artísticos e espaços culturais atraem-se mutuamente, consagrando o artista e elevando o nível das platéias. Eis um componente importante para uma bem planejada política de turismo.


Nota do Editor: Ernesto F. Cardoso Jr. é Economista (UERJ) e MBA (Univ. of Pittsburgh, EUA).
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