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COLUNISTA
Julinho Mendes
25/01/2018 - 06h56
O chumbo vai ser grosso
 
 
(Educação Pública)

“- Vê se uma professora merece passar o sábado, de seu período de recesso, procurando trabalhos e atividades, de meia dúzia de alunos retidos na série, que durante o ano letivo não cumpriu com o mínimo necessário para a sua aprovação?”

Esses alunos, ou pais desses, sabem que podem entrar com recurso na Secretaria de Educação da região para que seja revisto o porquê de sua reprovação. Se existe essa brecha, o “interessado” está em seu direito. O Estado, por sua vez, convoca os professores em suas unidades para prestarem conta dessa situação, o que causa constrangimento e revolta e muito trabalho.

Um outro professor ainda pragmatiza em sua fala profética, completando a fala da professora acima: “E que irão passar de série mesmo!”

Esses comentários e afirmativas, até de desabafo, não é de um, ou de outro professor, acontece em todas as escolas.

Acredito que todos professores, de uma forma ou de outra, reagem contra e ficam indignados com essa situação que o Estado permite, pelos seguintes fatos: Todos os anos o professorado participa de reuniões pedagógicas, faz planejamento curricular, uma infinidade de afazeres extraclasse que lhe cansa antes mesmo de começar a lecionar suas aulas; aí vem as aulas, trabalhos, provas, recuperação por conta, trabalho de compensação de ausências para os faltosos (outra aberração), conselho de classe, recuperação oficial da escola, conselho de classe de novo. Todo bimestre é isso e tudo isso para fazer o aluno ficar na escola, estudar, e ter o mínimo de conhecimento para ser aprovado, mas tem aquele que não quer estudar, não faz as tarefas de casa, não apresenta trabalhos, não responde as questões da prova, falta além e após do limite permitido... E o professorado, o diretor, assim como a equipe pedagógica existente na escola, o adverte, adverte os pais, para que o aluno mude seu comportamento e seja aprovado dentro das facilidades e oportunidades que lhe são oferecidas, mas ele não quer saber de estudar o mínimo. O professor é amigo, quer o bem e o melhor para seu aluno e que esse seu aluno seja bem-sucedido na vida. O professor se orgulha em falar: Aquele advogado foi meu aluno, aquele engenheiro aprendeu álgebra comigo, aquela médica era boa aluna nas minhas aulas de química...

Quando, na rede pública estadual, um aluno é reprovado, é porque simplesmente ele não cumpriu com o mínimo do mínimo necessário e, o professorado, depois das provas, dos trabalhos, das recuperações, depois de ficar conversando e analisando nos cansativos conselhos de classes, aluno por aluno, e mesmo dando oportunidade de aprovação àqueles que foram reprovados em duas matérias, o corpo docente da escola é soberaníssimo (ou deveria ser) em afirmar: Este aluno foi aprovado, aquele está retido! Volta o ano que vem! Ponto final! “Férias”...

Mas aí vem a senhora Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, do estado de um país que dentro do ranking mundial de educação encontra-se entre os últimos, e diz: reúnem-se e revejam a questão desse aluno retido. Aí a cara do professor vai pro chão, o seu trabalho foi perdido, sente-se rebaixado, desonrado, o seu prazer pela profissão vai decrescendo, a sua autoestima, já atingida pelo baixo salário, cai por terra e sua alma sem moral esmorece.

Como rever a situação de um aluno retido, em um ou dois dias, (impossível!) sendo que isso já foi feito no processo de um ano? O que querem que o professor diga? “Ah, tá bom, aprova então”. É isso que querem? E isso acontece! Aí outra pior e terrível situação entra em cena, o estímulo daqueles que foram aprovados por merecimento vai caindo, em ver que o outro que nunca estudou passou do mesmo jeito. E a bola de neve vai crescendo.

Tem os que choram, os que reclamam, os que resmungam, os de braços cruzados, e no mais “admirável gado novo” sem nenhuma reação, vão fundindo-se aos desinteresses das políticas e dos políticos, de dar ao Brasil uma educação pública de qualidade, com seriedade e respeito.

O chumbo vai ser grosso pro meu lado, mas o que vale, acertando ou errando, é que atirei com o meu bodoquinho e estou de alma leve, talvez expressando aqui o que muitos, do batalhão, se reprimem em dizer.

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