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20/06/2022 - 05h54
Quem cuida do professor?
 
 
Consequências emocionais de período pandêmico também atingem educadores; escolas precisam desenvolver estratégias de acolhimento

Nas salas de aula, nos corredores, nas conversas durante o intervalo e até em casa, educadores de todo o país têm enfrentado dificuldades para se manterem calmos ao longo dos últimos dois anos. Um levantamento realizado pela Nova Escola em 2021 revelou que 72% dos educadores brasileiros precisaram buscar apoio emocional durante a pandemia de covid-19. Embora muito tenha sido discutido a respeito de saúde mental nas escolas, o foco, em geral, fica nos estudantes. Mas, se os professores, que muitas vezes atuam como apoio para seus alunos, também estão sofrendo, quem deve cuidar deles?

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) começou a se pronunciar sobre a pandemia, houve outro alerta, além daquele mais óbvio, sobre os riscos diretos de contrair covid-19: a instituição falou sobre as consequências emocionais que poderiam decorrer da pandemia. Isso porque uma das medidas de prevenção à doença era permanecer afastado de outras pessoas, trabalhando ou estudando de forma remota. Essa falta de contato com outras pessoas, somada ao medo inerente à situação sanitária, preocupou a OMS desde o primeiro momento.

Para a assessora pedagógica do Sistema Positivo de Ensino, Juliana Landolfi Maia, a aceleração da apropriação dos recursos digitais pode ter interferido no desenvolvimento de ansiedade, por exemplo. Além disso, “em um cenário com muitas transições, pode ser que os professores venham carregando questões individuais. Precisamos olhar com muita sensibilidade para entender como esse contexto de pandemia afetou os educadores”.

Autocuidado

A Psicologia, a Medicina e a Neurociência sinalizaram que o fator psicológico seria um ponto especialmente relevante diante do cenário pandêmico. E isso não é diferente para professores. De fato, não poder conviver com amigos e colegas de trabalho também mostrou-se um problema para eles. A consultora de saúde mental e bem-estar da The Education People, Kelly Hannaghan, afirma que “professores precisam de outros professores. Esse não é um trabalho que pode ser feito sozinho. A colaboração e a amizade são vitais para manter os professores saudáveis e felizes”.

Há, naturalmente, um papel importante que precisa ser desempenhado pela escola e pela família dos educadores nessa batalha das questões emocionais. A formação de redes de apoio que contem com profissionais da psicologia e especialistas em bem-estar é uma das iniciativas para isso. Outro ponto indispensável é disponibilizar canais para escutar ativamente o que os educadores têm a dizer sobre sua própria saúde mental. Afinal, cada pessoa é única e enfrentou situações muito específicas ao longo desses últimos dois anos.

No entanto, Juliana lembra que, “no fundo, a gente sabe que quem cuida do professor de verdade é ele mesmo. O papel principal é o do autocuidado. Se ele se perceber e tiver essa consciência, ele também se deixará cuidar e aí conseguimos envolver a comunidade escolar, familiares e outras pessoas”. Ela explica que, enquanto o próprio professor não se compreender como vulnerável às situações, como alguém que tem fragilidades e pode compartilhá-las com os demais, é difícil criar um ambiente de acolhimento.

O segundo passo, segundo Juliana, está nas mãos da gestão escolar. É necessário que o gestor se esforce para ser uma liderança positiva e entenda seu papel em mediar situações de conflito, até mesmo entre professores e alunos. “A partir do momento em que há uma gestão positiva e um professor que reconhece suas próprias fragilidades, pode-se começar a pensar em como criar ambientes mais colaborativos, que sejam mais acolhedores e que proporcionem o tempo necessário para compreender essa nova realidade”, afirma.

Por fim, os familiares do educador precisam estar atentos a pequenos sinais comportamentais. Se o professor está sempre muito cansado, não consegue ou não sente vontade de sair da cama ou dá sinais de estresse como reação a pequenos acontecimentos, atenção. Ele pode estar precisando de cuidados. “Muitas vezes, é difícil buscar ajuda de um especialista e cabe à família ter um olhar carinhoso para esses sinais”, finaliza a especialista.

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