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Medicina e Saúde
26/07/2021 - 06h31
Síndrome do impacto do ombro
 
 
Patologia é considerada a causa de 44% a 65% de todas as queixas de dor no ombro

A síndrome do impacto do ombro é pouco conhecida da população. Entretanto, responde a maioria dos casos de dor nos ombros. Simples movimentos, como pentear os cabelos, vestir camisetas, escovar os dentes ou pegar um objeto em um móvel mais alto, podem desencadear um quadro doloroso na articulação.

Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em RPG e Pilates, a articulação dos ombros é uma das mais complexas do corpo humano. Isso porque é a articulação que permite o maior grau de liberdade de movimentos.

“Uma das partes mais conhecidas dos ombros é o manguito rotador. Trata-se de um grupo de quatro músculos que se originam na omoplata e se conectam ao tendão do úmero, o osso do braço. Esse grupo muscular é usado em todos os movimentos que exigem rotação e atuam na estabilização da articulação dos ombros”.

“Contudo, o manguito rotador fica localizado num espaço pequeno, entre o úmero e a parte superior da omoplata, chamada de acrômio. Por esse motivo, o manguito rotador fica mais suscetível a ser pinçado ou pressionado entre esses dois ossos. Quando isso ocorre, é chamada de síndrome do impacto do ombro”, explica Walkíria.

Outras causas

A síndrome do impacto do ombro também tem ligação com a tendinite e a bursite. A tendinite (inflamação nos tendões) é causada por movimentos repetitivos, como, por exemplo, jogar tênis ou praticar natação.

Já a bursite é a inflamação da bursa, estrutura cheia de líquido cujo principal objetivo é evitar o atrito entre os ossos, tendões e músculos.

Há ainda uma causa relacionada a alterações de nascimento no acrômio, que deixa o osso menos plano. Por fim, o surgimento de esporões ósseos também pode levar à síndrome do impacto do ombro.

“São lesões que se desenvolvem nas articulações que apresentam sinais de degeneração, ou ainda em áreas que sofrem tração por tendões ou ligamentos”, cita Walkíria.

Idosos e atletas

A síndrome do impacto do ombro pode atingir qualquer pessoa. “Porém, é mais comum em atletas, praticantes de natação, tênis, vôlei e em pessoas da terceira idade. O impacto do ombro também pode resultar de uma lesão, como uma queda com o braço estendido ou diretamente no ombro”, comenta a fisioterapeuta.

Dor em movimento

A síndrome do impacto do ombro pode se manifestar de várias maneiras. A dor está presente em praticamente todos os movimentos. “Pegar um objeto que esteja acima da altura da cabeça, dor ao abaixar o braço, dor ao mover o ombro para frente e para trás, dor ao deitar-se sobre o ombro afetado”, cita Walkíria.

Outros sintomas podem ser dor para lavar ou tocar as costas, fechar um zíper, escovar os cabeços, bem como fraqueza ou rigidez muscular nos ombros. “É importante dizer que as manifestações da síndrome do impacto do ombro se desenvolvem gradualmente. Podem ocorrer ao longo de semanas ou meses”, ressalta a especialista.

Como a síndrome do impacto do ombro é tratada?

Os objetivos do tratamento para a síndrome do impacto do ombro são reduzir a dor e restaurar a função do ombro.

“O tratamento é, na maioria dos casos, conservador. Ou seja, o paciente é encaminhado para a fisioterapia. Além disso, o médico também pode prescrever medicamentos anti-inflamatórios. A cirurgia é reservada para casos mais graves ou ainda quando o paciente não responde ao tratamento conservador”, relata Walkíria.

“Normalmente, o paciente chega com um quadro de dor importante. Nesse começo, usamos técnicas para alívio da dor. Quando há controle dos sintomas, iniciamos os exercícios para melhorar a amplitude de movimento e para fortalecer a musculatura dos ombros, especialmente para os músculos do manguito rotador”, explica a fisioterapeuta.

O reequilíbrio muscular, com alongamento do trapézio, do peitoral, bem como o fortalecimento dos rotadores externos e uma correção postural são os fundamentos da fisioterapia para tratar a síndrome do impacto do ombro.

“Com isso, o paciente pode retomar suas atividades, inclusive as esportivas. Entretanto, quando esse reequilíbrio não é alcançado na fisioterapia, a chance de recorrência é maior”, finaliza Walkíria.

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