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SEÇÃO
Crônicas
19/02/2021 - 06h59
Nas nuvens
Edna Lopes
 

Voar voar, subir subir ir por onde for
Descer até o céu cair ou mudar de cor
(Piska)

A primeira vez que voei, já era quase adulta. Estudante do ensino médio, com 16 anos e vinda do interior, fiz amizade com uma de minhas colegas de escola que tinha um irmão piloto e um dia fomos ao aeroclube, levar um documento. E ele vendo meu olhar arregalado se ofereceu para mostrar o local. Fiquei encantada! Vi algumas máquinas por dentro, fiz um montão de perguntas, como boa curiosa que sempre fui.

- Teria coragem de voar em um desses?

- CLARO QUE SIM! Falei sem hesitar!

- Pois está combinado! Quero só ver sua coragem! Sábado estejam aqui às 10h, disse rindo o irmão da minha amiga.

Era um dia quarta-feira e quase não dormi até o sábado. Todos os dias perguntava a amiga como estava o irmão, se ela realmente iria comigo... Ela, que já voara várias vezes, ria da minha ansiedade e finalmente chegou o grande dia!

"Voei" para encontrar minha amiga logo cedo e, bem antes das 10h já estávamos no aeroclube. Ficamos observando o movimento até o irmão piloto nos chamar e com o coração disparado e um friozinho na espinha entramos em um que parecia um brinquedo de gente grande (e para alguns, é mesmo!). Tinha 04 lugares e fiquei sabendo que era um monomotor. Os olhos arregalados e a mão gelada denunciavam meu nervosismo.

- Quer desistir? Perguntou rindo o irmão-piloto.

- Nunca! Eu quase gritei...

- Então vamos lá!

E o "brinquedo" correu na pista, ganhou velocidade e... Subiu!

O frio na barriga (ou era no estômago) ficou insuportável e eu fechei os olhos. Acho que iniciei uma oração e pedi desculpas a minha mãe e meu pai por está fazendo algo sem o conhecimento e permissão deles. Mais um tempinho e o frio diminuiu, abri os olhos e tudo era perfeito, maravilhoso! Vi a cidade lá em baixo (nem sabia que era tão grande!) e uma faixa azul que ficava mais nítida a cada instante! Era o mar! Lindo, imenso!

- E aí baixinha, está viva? perguntou o irmão-piloto galhofeiro.

- Vivíssima! É uma delícia voar! E tudo tão lindo!

Do lado dele estava um colega também piloto que ficou falando dos lugares por onde passávamos. Foi um voo panorâmico maravilhoso! Se eu já gostava da capital do meu estado, se já achava Maceió linda em terra, lá do alto achei muito mais. Aquela imensidão de águas das lagoas, o mar com seus tons de azul e verde tão especiais. Agradeci, por tanta beleza!

O irmão-piloto ainda riu de mim quando soltou o manche e me deu um susto... me senti em queda livre por alguns segundos. Minha amiga caiu na gargalhada quando me viu sem cor e com os olhos mais arregalados ainda. Apesar do susto, foi inesquecível e agradeci muito a eles pelo presente.

Na vida adulta e profissional tenho gastado algumas horas de minha vida voando, literalmente. Gosto de estar nas nuvens! Fico sempre muito a vontade e as vezes estou tão exausta que durmo antes de decolar.

Nessas viagens de trabalho ou de lazer tenho vivido e visto muitas coisas, nos voos, desde a falta de profissionalismo, até piloto dizendo gracejo com microfone aberto, bizarrices de passageiros, mala extraviada, gente estressada e mal educada, objetos surrupiados de dentro da minha bagagem, mala rasgada, voos atrasados, passageira infartando e morrendo, voo retornando ao aeroporto, passageiro tendo chilique...

Quando estou relaxada e em voos mais demorados leio, escrevo, estudo, ouço música, vejo TV, trabalho, converso, organizo minha agenda. Minha penúltima viagem foi de lazer, em dezembro de 2019, para visitar meu filho, neto e nora, em São Paulo. Pretendia voar novamente em abril de 2020 mais a pandemia não deixou. Juro que foi uma das coisas que senti falta!

Fim do ano chegando, mesmo contrariando a família, tomei todos os cuidados e voltei a viajar em dezembro de 2020. Saudades imensas dos meus! Cuidados e mais cuidados e lá fui eu. Definitivamente, o vírus transformou o jeito de voar. Tudo é mais demorado e tenso, sem sorrisos ou conversas. Foi tudo bem mas, pela primeira vez na vida perdi uma conexão, na volta para casa. Não lamentei pois estava em uma cidade que tenho pessoas amigas e pude matar a saudade um pouquinho, com todos os cuidados, da boa conversa e do afago que só gente amiga e querida é capaz de fazer, para nos salvar de perrengues, nos acolher e receber com carinho.

Bom, planejo continuar voando, depois da vacina. Ou antes, se ela demorar demais, prometi a mim mesma, mas sempre com todos os cuidados!

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