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Opinião
11/01/2021 - 06h01
Desobediência civil, risco à democracia
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

A invasão do Capitólio, pela turba que pretendia impedir pela força os parlamentares de validar as eleições presidenciais, é uma prática do inimaginável e prova de que a ordem e o respeito perecem nos EUA o país-potência que, por muito tempo, foi, orgulhosamente, classificado como a maior democracia do mundo. Hoje, no lugar do tradicional respeito, coloca-se a desobediência civil, que ameaça retroceder a sociedade à barbárie. Sem juízo de valores sobre os atuais contendores - que teriam de melhorar muito para se comparar a democratas e republicanos do passado (Roosevelt, Kennedy, Carter, Eisenhouwer, Nixon, Reagan e outros) – esse clima ruim destrói o tecido social e, em se tratando de um país líder, tmbém pode influenciar o alastramento do mal a outras nações.

Convulsionados, os EUA não terão condições de auxiliar os parceiros ao redor do mundo, conforme sempre ocorreu. Aí acontecem episódios que levam à instabilidade e a possíveis ditaduras de diferentes matizes. Independente de esquerda ou direita, as extremas são nocivas. Democracia é a palavra-chave de que se servem todos os que querem assumir a liderança, inclusive aqueles que almejam estabelecer regimes ditatoriais e opressivos. E, à falta de lideranças, cria-se o clima propício às atitudes irracionais, especialmente o terrorismo que se vale de atos extremados para tentar destruir a ordem social e implantar seus métodos. Os próprios EUA registram frequentemente atos dessa natureza e a Europa mais ainda.

Como todos os países da América Latina, o Brasil também viveu momentos de desequilíbrio e terror. Depois da ditadura Vargas, encerrada em 1945, a democracia aqui estabelecida esteve sob permanente ataque ideológico até 1964, quando os militares assumiram o poder, justificando que o faziam para evitar o risco da implantação do comunismo. Permaneceram 21 anos, afirmando-se democráticos e, depois que saíram, o período foi classificado pelos seus adversários como ditadura e assim é chamado até hoje. Vivemos desde 1985, o mais longo período democrático da história onde já ocorreram dois impeachments presidenciais, ex-presidentes e outras lideranças foram encarceradas e existe muita controvérsia, inclusive a nefasta judicialização da política, onde magistrados de carreira ou das cortes superiores interferem nas prerrogativas do Executivo e do Legislativo. Tudo isso leva ao desencanto do cidadão eleitor, manifestado na abstenção e votos nulos e brancos cada vez mais numerosos de eleição para eleição. Nossa democracia mostra-se imperfeita e carente de grandes reformas.

A sociedade, por suas forças, tem de reagir e rechaçar os extremismos e oportunismos que só podem beneficiar os militantes, mas não interessam à população. É preciso, por todos os meios, colocar no passado os maus hábitos e voltar a investir no desenvolvimento social e econômico e num Estado que cumpra suas obrigações para com o cidadão. A classe política tem um importante papel a cumprir. Em vez das contendas raivosas, é preciso buscar os pontos de entendimento e, principalmente, o bem-estar geral. Tudo o que se fizer diferente disso, será investimento na inviabilidade e tirará o país do almejado futuro brilhante. O exemplo norte-americano de hoje não pode nos servir de parâmetro...


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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