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Opinião
25/11/2020 - 06h42
A Covid-19 depois das eleições
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

Mesmo com a baixa no número de mortes, a pandemia da Covid-19 ainda preocupa. Especialmente porque ainda não temos vacina comprovadamente eficaz e nem sabemos quando será possível imunizar a população. O coronavírus continua solto e infectando. Daí a necessidade de se adotar precauções como o uso da máscara, o não aglomerar e manter o distanciamento entre as pessoas, pois não conseguimos saber quem está e quem não está impregnado pelo mal. O aumento das internações, especialmente em hospitais privados, leva a especulações de que estaríamos entrando numa segunda fase da pandemia, como a que ocorre na Europa. É bom lembrar que na Europa hoje é inverno e aqui vivemos a estação quente do ano, uma situação inversa que, pelo menos no aspecto ambiental, não autoriza a pensar que a pandemia volte a se agravar.

O fundamental, no entanto, é que não se repita a politização ocorrida quando da chegada do vírus. A tendência é que isso não ocorra, pois boa parte dos prefeitos que assim se comportaram, já perdeu a reeleição (alguns com votações ridículas). Com o pouco mais de conhecimento hoje disponível sobre o mal, espera-se mais seriedade e que o problema não seja combustível para dar partida precoce às eleições de 2022.

Está na hora das autoridades sanitárias definirem os protocolos a seguir durante o período em que o vírus estiver circulando e ainda não houver a imunização da população. Temos alguns meses até a chegada da estação temperada e fria (a partir do mês de abril). Devemos observar o que ocorre na reinfecção da Europa e lá prospectar medidas que possam ser adotadas aqui no caso da anomalia se confirmar em nosso território.

Na outra ponta, vemos os laboratórios se esforçando para chegar à vacina eficiente. Quando a droga estiver disponível, não importa de onde venha, é preciso que se monte o melhor esquema para a sua aplicação. Sem a truculência da obrigatoriedade e nem a incompetência que possa torná-la indisponível a regiões ou segmentos da sociedade. O SUS tem de ser o grande distribuidor, e estados e municípios - que também integram o sistema - fazer a sua parte, como já se faz com as demais vacinas.

Os governantes precisam, também, ter sensibilidade para não cometer a atrocidade dos lockdowns e quarentenas exacerbadas que podem levar à população prejuízos e sofrimentos maiores do que a própria pandemia. Chega de engano e intolerância!

Em tempo: com os recursos empregados na pandemia, especialmente a compra de respiradores e equipamentos de UTI, é preciso equipar os hospitais e, com isso, evitar que, com pandemia ou sem pandemia, pacientes graves continuem morrendo nas filas de internação. Esse problema é anterior à Covid-19 e está aí à espera de solução...


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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