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SEÇÃO
Crônicas
19/11/2020 - 05h23
Nossa casa das Perdizes
Beatriz Cruz
 

Ela não está mais lá. Junto com algumas vizinhas foram demolidas, em seu lugar foram construídos dois prédios de grandes apartamentos. Mas na calçada, bem em frente, ainda resiste a quaresmeira plantada por mamãe. Ela cresceu bastante e hoje, majestosa, parece guardar nossas lembranças. Antes havia outra, no jardim, que veio abaixo numa tarde de forte tempestade.

Fiquei olhando como se a casa ainda lá estivesse e me lembrei de coisas engraçadas. Quando viemos morar ali, no fundo do quintal encostado ao muro havia um galinheiro! Na primeira oportunidade dona Laura mandou desmanchá-lo e instalou no local um ranchinho para o tanque. O tempo de criação de galinhas caseiras já havia passado. Ela contava que na casa de sua mãe, numa época em que viveram na alameda Lorena, uma parte do quintal era reservada aos doze frangos que vovó comprava semanalmente.

Outra coisa que nos deixava curiosos é que olhando do lado de fora da casa, no andar superior havia uma saliência na direção do quarto que meus pais ocupavam, mas por dentro a parede era lisa. Dava a impressão de um armário “exbutido”, como gostávamos de dizer, que fora desativado. Então fazíamos suposições: desativado por quê?... Será que algum antigo morador tinha matado a mulher e escondido o cadáver lá dentro?... Ou teria sido a mulher que matou o marido?... Anos se passaram e depois de muitas reformas é que se resolveu quebrar aquela parede para desvendar o mistério. Era mesmo um local preparado para armário, mas estava vazio. Nenhum osso foi encontrado. O mais provável é que tenha sido barbeiragem dos pedreiros, só percebida depois de pronta a construção. Esse mesmo quarto dava para um terracinho que compunha a fachada principal da casa, como muitas outras da mesma época. E como ele tinha uma parte arredondada, parecendo um púlpito, era divertido ficar ali conversando com alguém lá embaixo. Só faltava jogar as tranças.

Um dia, um publicitário que morava nas redondezas teve a ideia de filmar um comercial utilizando esse inusitado púlpito. Mas não trouxe nenhuma Rapunzel para as filmagens, em seu lugar veio um gordo Papai Noel. Eu pensei que ele fosse subir escalando a parede, mas não foi isso que aconteceu, afinal era tarefa um tanto difícil... Lá em cima ele apareceu no púlpito, deu aquela risadinha hô hô hô e fez baixar uma cesta de presentes, todos de uma determinada loja do Nordeste. Pena que não vimos a propaganda na televisão, ela só passou por aqueles lados do país. Mas naquele dia foi um fuzuê danado na rua. Pela calçada havia holofotes, aparelhos e fios pra todo lado. E, claro, juntou gente para xeretar a função.

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