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20/09/2020 - 07h22
Campanha `Me deixa ser selvagem´
 
 
Organização não-governamental pressiona o G-20 para que acabe com o comércio de animais silvestres como forma de prevenir o surgimento de novas pandemias como a da Covid-19

Para chamar a atenção para os riscos da interação entre pessoas e animais selvagens, incluindo o surgimento de novas pandemias como a da Covid-19, a Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que atua em prol do bem-estar dos animais, apresenta a campanha “Me deixa ser selvagem” (campanha.medeixaserselvagem.org). A iniciativa pretende pressionar o grupo de líderes dos países do G-20, incluindo o governo brasileiro, a discutirem o banimento global do comércio de animais silvestres, em sua cúpula anual entre os dias 21 e 22 de novembro. “Me deixa ser selvagem” vem reforçar no Brasil a campanha mundial que já conta com mais de 500 mil assinaturas em petição que pede a ação dos líderes globais.

“O que estamos vivendo com a pandemia do novo coronavírus é umas das piores crises sanitárias da história moderna. Cerca de 70% de todas as doenças transmitidas de animais para humanos têm origem nos silvestres. Se a interação entre humanos e animais silvestres continuar no nível que está, certamente novas e piores crises virão. Por isso, o banimento de todo e qualquer comércio de animais selvagens é necessário e urgente”, afirma a diretora-executiva da Proteção Animal Mundial no Brasil, Helena Pavese.

O conceito criativo da campanha, que conta com peças que mostram os animais da fauna brasileira em seu habitat natural, foi criado pelo designer Gabriel Calou, com o auxílio da equipe de comunicação da organização. Além disso, a campanha irá engajar influenciadores, para produção de conteúdo para Instagram, TikTok e Twitter. Outra novidade é a série de podcast “Mega Animal” com apresentação da jornalista Paulina Chamorro e produção do Compasso Coolab. Com episódios quinzenais, disponíveis nos principais serviços de streaming, a série irá tratar de diferentes formas da mercantilização em escala industrial da vida silvestre, seja para alimentação, medicina tradicional, entretenimento ou acessórios de moda.

“Nosso grande desafio é mudar a relação das pessoas com a vida selvagem. A campanha mira os líderes do G-20, pois acreditamos que só decisões globais podem acabar com o problema. No mais, esperamos conscientizar os brasileiros não só sobre os riscos da interação desnecessária com animais selvagens, mas também sobre pequenas mudanças nos nossos hábitos de consumo que podemos fazer muita diferença para os animais”, explica o gerente de Comunicação da organização, João Gonçalves, lembrando que o objetivo global da campanha é reunir mais de 1 milhão de assinaturas pelo fim do comércio de animais silvestres em todo o mundo até o dia 21 de novembro, quando começa a cúpula anual dos países do G20.

Comércio de animais silvestres - Todos os anos, milhões de animais silvestres são capturados de seus habitats naturais para serem criados em péssimas condições no cativeiro. Onças, cobras, papagaios, iguanas, jabutis, passarinhos e uma infinidade de outras espécies são retiradas de seus pares, para ficarem trancafiados em gaiolas e servirem como bichos de estimação, sem conseguirem expressar seus comportamentos naturais, vivendo uma vida de extremo sofrimento. A exploração da biodiversidade do Brasil é intensiva, anualmente são registrados mais de 290 mil novos animais nos sistemas legalizados, e estimativas apontam para mais de 38 milhões de animais silvestres retirados ilegalmente da natureza.

“Há anos, o comércio em escala industrial de animais silvestres gera alguns bilhões de dólares. Contudo, agora estamos todos pagando o preço por essa prática. Essa pandemia - que não é a primeira - não tem relação apenas com animais sendo vendidos para o deleite dos seres humanos. É muito maior que isso. Trata-se de ganância e mercantilização de espécies em todos os níveis. Se aprendemos alguma coisa com essa situação, é que precisamos deixar os animais selvagens onde eles pertencem, na natureza. Todos temos a responsabilidade de mudar nosso comportamento e atitudes em relação aos animais, que podem salvar as vidas de milhões de pessoas, animais e nossas economias”, finaliza Helena.

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