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Crônicas
22/05/2020 - 06h41
Do amoroso caderno
Rangel Alves da Costa
 

Do amoroso caderno, com escritos de mais ilusões que de possíveis amores, eu recolhi estas palavras que nem sei se valeram a pena terem sido escritas. Não sei, não sei...

Ao meu amor... Assim começar um poema, assim iniciar uma cartinha, assim introduzir palavras que traduzam todo o amor sentido. Mesmo sabendo que as palavras sequer se aproximam do que é mostrado pelo olhar, pelo sentimento e pelo coração.

Mas escrevo assim mesmo. E para mais uma vez dizer:

Minha bela, minha namorada. E de repente um livro aberto foi revelando o que jamais pensei ser escrito. E nas suas linhas o que nos foi determinado na estrada de mãos dadas e no passo a dois: sigam!

Imaginei ser tão distante e tão difícil de encontrar o horizonte chamado amor. Mas basta a presença, basta o olhar, basta o sorriso, basta o desejo, basta a certeza de que ela está aqui: minha bela, minha namorada.

Mesmo na distância, é na saudade que o amor tem asas. Mesmo na tristeza, é na certeza do breve encontro que tudo se se transforma em esperança. E é nas asas da saudade e da esperança que sempre estou diante de minha bela, de minha namorada.

Em você pensar e em todo pensar avistar o que os meus olhos já não conheciam. As belezas simples, as flores ocultas, os aromas da brisa, as canções do vento, as poesias das borboletas e dos colibris: a minha bela, a minha namorada.

Já não sou eu senão dividido, já não caminho só senão a dois, já não tenho nada senão compartilhado, já não tenho o egoísmo de me possuir senão a humildade de me dividir e minha outra parte a ela doar: à minha bela, à minha namorada.

À minha bela, à minha namorada, presenteei com concha de mar e dentro dela um segredo de vento dizendo assim: se as águas chegam para apagar os passos na areia, então é preciso aprender a voar sobre a areia. Eis o mistério de amar: aprender a voar.

Ó minha bela, ó minha namorada, que sempre olhemos os lírios do campo. A grandeza está na simplicidade e não no brilho, a riqueza está na humildade e não no deleite, a essência está apenas no que é. E precisamos ser além de nós para sermos mais?

Em teu colo repouso, minha namorada. Sobre tuas mãos me acolho, minha bela namorada. E em momentos assim, de simples ternura e meiguice, novamente em menino me torno e para sonhar beijando uma boca. E encontro a sua.

Minha bela, minha namorada. Como é bom novamente encontrá-la e tê-la só minha. Como é bom encontrá-la para nos meus braços deitar o seu corpo e sentir suas pétalas debruçadas sobre um jardim. E ser abelha na sua colmeia. Tanto mel, todo mel, tudo meu e seu.

Agora, diante de mim, como se sobre minha mente, meu olhar e meu coração, soprasse a mais doce inspiração: a minha bela, a minha namorada. Ela chegou e entrou pela porta. Caminhou sobre mim e sentou no meu colo, viajou sobre mim e bebeu na minha fonte, deitou sobre mim e saciou sua fome.

Entre nuvens e panos, ela também adormece e sonha. Mas ela levantou do seu sono, acordou do seu sonho, e ao abrir os olhos e ao sorrir nos lábios, então me senti refletido pelo mesmo sol e pela mesma lua, tudo nela: a minha bela, a minha namorada.

Já não sei a extensão do beijo, ou o adocicado do mais doce sabor que possa existir, pois bastando o toque no favo de mel para sentir o paraíso da boca e do seu céu, no céu estrelado dela: a minha bela, a minha namorada.

E nos seus lábios leio poesia e carta de amor, bilhete e recado apaixonado, um livro aberto onde cada palavra é tão verdadeira como tudo nela: na minha bela, minha namorada.

E ainda junto aos seus lábios, como poeta ávido de qualquer soneto, quase em silêncio canto: não quero além do viver ter o prazer de estar ao lado dela, pela estrada, com ela, minha bela, minha namorada.

Por que o passo é curto demais nessa vida. Por que a estrada não se distancia demais nessa vida. Por que tudo simplesmente um dia termina no próprio ser humano, é que temos de seguir adiante na semeadura do que a nós mesmos prometemos: amor.

Amor, amar. E no amor a eternidade daquilo que a vida nos chamar a viver sem medo: a felicidade.


Nota do Editor: Rangel Alves da Costa é poeta e cronista. Mantém o blog Ser tão / Sertão (blograngel-sertao.blogspot.com.br).

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