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SEÇÃO
Crônicas
02/04/2020 - 07h08
Contagiados ou contagiantes contagiam
Damião Ramos Cavalcanti
 

Cada um de nós é uma casa que abriga muitas coisas, inclusive algumas esquecidas ou desconhecidas, como era o inconsciente, antes de Freud descobri-lo. Mas que ainda, a maioria de todos nós o ignora ou o engaveta numa velha cômoda, agora muito pouco usada. Por ética e respeito à saúde coletiva, temos sido obrigados a permanecer em casa. Somos, portanto, uma casa dentro da casa. E com o passar dos dias, uma parede bate na outra, há choques, mesmo quando se faz um cuidadoso tour doméstico, passeando, sem mãos dadas, da cozinha ao portão da frente; e haja imaginação pelo caminho de coisas boas, inclusive algum jardim ou jarros com flores.

Caminho? Sim, na verdade, a casa tem se tornado uma cidade, tanto para nos enganar como para nos levar à sensação de que, quando quero, saio de dentro dela ou ganho a rua, sem perigo de contágio. Assim invento, como o brincar das crianças: Cada quarto é uma rua; o corredor, uma avenida; e a dispensa, um supermercado que vem se esvaziando, já me dando ideia de ser uma pequena bodega. Quando brincam, as crianças imitam os adultos; e, nessas ocasiões, os adultos, as crianças. Dirigindo o seu carro, gente grande repete, da infância, a satisfação de dirigir o caminhãozinho de madeira, que seus pais compraram na feira do interior.

De repente, o nosso livre “ir e vir” foi barrado por um bichinho quase invisível, que só se mostra ao olhar microscópico dos cientistas vestidos de branco, mas se exibe pela sua nefasta propagação e poderosa capacidade de nos adoecer e de nos matar. Originados no Oriente, num instante, chegaram ao Ocidente, não causando temor apenas aos mais idiotas dos raciocínios. Raciocínios? Não! Talvez, sua rápida chegada, do Norte ao Sul das Américas vindo da Ásia, queira se interpretar que ele é veloz. Que nada! Viajou no nosso colo, nas nossas mãos, nas nossas bocas e bafos, nos nossos braços e abraços, nos copos e taças trocadas e tocadas ao se festejarem os brindes; através dos nossos costumes saudáveis do dia a dia. Assim, atravessou continentes, invadiu países. Diante dessa sua exibida façanha de adoecer e de matar, há quem subestime os números dos doentes, a falta de leitos nos hospitais, as mortes, os mortos em procissão para estádios e para igrejas, porque não tiveram quem os levasse à sepultura ou simplesmente à cremação.

O isolamento social, para evitar um contágio coletivo e dizimador, é imperativo, racional e humano, que se contrapõe a qualquer diatribe de que estaríamos perdendo dinheiro, lucro, produção, comércio e enfraquecendo a nossa economia. E a nossa vida? A vida de todos nós é bem maior do que o Mercado Financeiro. Que o diga o Mr. Trump que, ao convidar os norte-americanos às ruas, para abrirem o comércio e a indústria, proporcionou, como resposta ao desatino, o pico mais alto de transmissão dessa catástrofe, em comparação com a China e a Itália. Lastimável, lastimável encontrar ainda que, diante de tais fatos, haja quem tente argumentar contra o isolamento social. O pico e o declínio da mortífera transmissão não têm data fixa, o desaparecimento do coronavírus será quando houver o desaparecimento. Enquanto isso não ocorre, aguardemos aviso das autoridades competentes, digo “competentes”; pois, os contagiados, contagiantes ou contagiosos, contagiarão, e nós adoeceremos e morreremos. E não adiantarão, muito mais do que se perdeu, aplicações ou socorros dos dinheiros ganhos em dois ou quatro meses. Somente agora o Mister Trump está, ao liberar dólares, tentando apagar a asneira de menosprezar a ordem de recolhimento em seus país. Falta ele pedir perdão aos seus compatriotas e à humanidade, como o fez o prefeito de Milão, Signore Giuseppe Sala, ao povo italiano, escusando-se pela sua ignomínia à vida.

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