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Opinião
15/02/2020 - 07h51
O que esperar dos laboratórios a partir de 2020
Alexandre Calegari
 

O mercado de medicina diagnóstica atende cada vez mais vidas em todo o Brasil. Para se ter ideia da contribuição e importância do setor, bem como do seu crescimento, projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apontam que a demanda por exames deve mais do que dobrar até 2030.

Apesar da recuperação econômica do país andar a passos largos, impedindo de deixar o setor desenvolver todo seu potencial, os laboratórios continuam evoluindo e inovando. Hoje, a tecnologia tem facilitado bastante os processos laboratoriais, permitindo a realização de exames em grande escala, em menor tempo, com melhor qualidade e precisão, sem contar com a redução de custos operacionais.

Nesse caminho, o setor de saúde como um todo passa por uma transformação digital ao mesmo tempo em que começa a deixar de lado o foco no tratamento-cura, para o cuidado à saúde e também para a prevenção, priorizando o bem-estar do paciente. Diante desse cenário, algumas tendências no segmento de medicina diagnóstica serão mais acentuadas nos próximos anos para agregar mais valor à toda a cadeia da saúde.

Cada vez mais convencidos de que o acesso fácil e ágil a informações e dados do paciente e resultados que apoiam o desfecho clínico deve estar no centro dessas decisões, laboratórios vão apostar em mais investimentos em infraestrutura e automatização de processos.

As inovações tecnológicas serão alimentadas por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, sempre na busca de soluções que melhorem a experiência do paciente. Nesse quesito, o foco em um atendimento humanizado e personalizado tem sido um dos caminhos para alcançar a satisfação do paciente.

Para aproximar os pacientes dos laboratórios e promover uma melhor experiência, a aposta também será em processos digitais para facilitar a jornada dos pacientes. Exemplo desse movimento de transformação digital são os aplicativos móveis, como o Onlife, cujo objetivo é conectar o paciente em tempo real com o laboratório, desde o pré-agendamento de exames até a consulta de resultados, disponibilizando o acesso a todo o seu histórico do atendimento no laboratório, download de laudos e o compartilhamento dos documentos com os médicos solicitantes.

A tecnologia ainda dará maior segurança e engajamento ao colaborador, com menores chances de erros nos processos, desde o atendimento até a entrega do exame ao paciente.

Os laboratórios também já se preparam para se adaptar às mudanças referentes a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor em agosto de 2020. Para saber como lidar com as informações dos pacientes e colaboradores, as empresas terão de dedicar tempo e recursos. Será um grande desafio devido à complexidade da legislação, inclusive na adaptação de novos sistemas. Os que não estiverem em conformidade com esta lei estarão sujeitos a altas penalidades.

O registro de dados tornou-se a pedra preciosa das empresas do setor, que vão investir cada vez mais nessa questão. A partir de uma gestão eficiente, com a análise de dados qualificados, organizados e devidamente armazenados, o gestor consegue ter uma visão mais ampla da empresa como um todo e tem condições mais claras de deliberar sobre determinados assuntos.

Apesar de todas essas tendências balizadas pela transformação digital precisamos estar preparados com um novo “mindset”, compreendendo que é impossível separar estratégia dos negócios da inovação, nem tecnologia da centralidade humana. A tecnologia deve ser usada para alavancar o potencial das organizações, trazendo velocidade, capilaridade, empoderamento e autonomia, mas sempre dentro do propósito de servir o ser humano.


Nota do Editor: Alexandre Calegari é gerente de produto da Shift, empresa brasileira especializada em Tecnologia da Informação para medicina diagnóstica. Calegari tem mais de 16 anos de experiência nesse segmento, é graduado em Tecnologia e Processamento de Dados pela UNIRP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV, atualmente lidera projetos estratégicos da Shift e a área de Gestão de Produtos.

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