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SEÇÃO
Crônicas
10/02/2020 - 06h43
Tom Jones
Henrique Fendrich
 

1. O livro, e não o cantor.

2. Tom Jones, de 1749, escrito por Henry Fielding, é um livro clássico que hoje já não é muito lido. Mas para incentivar a sua leitura bastaria dizer que era apreciado por Jane Austen e as irmãs Brontë e que o próprio Dickens gostava tanto dele que deu o seu nome a um filho: Henry Fielding Dickens.

3. Sobre o que fala Tom Jones? “Sobre a tolice do amor e a sabedoria da prostituição legal”. Essa é uma das ironias utilizadas pelo autor para se referir ao casamento por interesse - não faltam ironias no livro e há quem aproxime Fielding e Machado.

4. A história em si é um drama romântico, do tipo que devia ser comum na época, mas o que mais chama a atenção é o uso de metalinguagem. Fielding incluía, ao final de cada capítulo, um outro em que discutia a própria obra que estava escrevendo. Ainda que ele divirta bastante - e realmente diverte -, há por ali também muitas reflexões bem interessantes.

5. Segue um trecho de um desses capítulos em que a metalinguagem predomina:

"Um autor, para me fazer chorar, diz Horácio, há de chorar primeiro. Ninguém em realidade pode pintar bem uma aflição se não a sentir enquanto pinta; nem duvido de que as cenas mais patéticas e comoventes tenham sido escritas com lágrimas. O mesmo se verifica com o ridículo. Estou convencido de que nunca faço rir gostosamente o leitor senão quando eu mesmo rio antes dele; a menos de suceder alguma vez que, em lugar de rir comigo, ele se sinta inclinado a rir de mim".

6. Há momentos em que a história ganha ares de uma novela picaresca, a la Dom Quixote. O herói também tem uma espécie de “escudeiro”, que é tão impertinente e interesseiro como o Sancho Pança. O primeiro terço do livro se passa em uma única aldeia, mas depois eles percorrem o mundo, entram em vendas e estalagens e encontram tipos curiosos. Um deles é o “homem da colina”, o mesmo que diz:

“Os homens de verdadeiro saber e conhecimentos quase universais sempre se amiseram da ignorância alheia; mas os sujeitos que se distinguem nalguma artezinha baixa e desprezível desprezam sempre os que lhes desconhecem a arte”.

7. Entre os lances dramáticos da história, é de se chamar a atenção para a trama em que uma mulher e um homem, simplesmente, combinam o estupro da mocinha. Eles não usam essas palavras, mas é exatamente isso que eles pretendem fazer.

8. Há muitas frases bem legais ao longo da trama e que também justificam a sua leitura:

“É um segredo bem conhecido dos grandes homens que, ao concederem um favor, nem sempre fazem um amigo, mas criam infalivelmente muitos inimigos".

“Pode um advogado sentir todas as desgraças e aflições dos seus semelhantes, contanto que não lhe suceda estar interessado contra elas".

“Dá-se, porém, com o ciúme o que se dá com a gota: quando se encontram no sangue essas enfermidades, nunca se pode ter a certeza de que não se manifestem”.

9. Além de tudo, Henry Fielding também pode ser considerado o precursor dos coaches.

Ele chamou um dos capítulos de Tom Jones de “Receita para recobrar a perdida afeição de uma esposa, que nunca se soube houvesse falhado nos casos mais desesperados”.

É o capítulo em que o marido morre.

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