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Opinião
11/09/2019 - 06h57
Facada em Bolsonaro à espera de apuração
Dirceu Cardoso Gonçalves
 

No último dia 6 fez um ano que o presidente Jair Bolsonaro, então candidato, sofreu o atentado à faca em Juiz de Fora (MG). Por conta disso, ele passou neste domingo pela quarta cirurgia decorrente do ataque. Seu agressor, considerado insano e por isso inimputável, segue recolhido ao presídio federal de Campo Grande (MS), por medida de segurança que o manterá indefinidamente recluso. Seguem, no âmbito da Polícia Federal, as investigações sobre os fatos periféricos ao crime, especialmente a possível participação de mandantes, incentivadores ou possíveis interessados. Espera-se que as conclusões levem de forma inconteste aos comparsas, se é que existem, ou sejam capazes de desfazer as narrativas sobre o suposto complô.

Como em todo fato de repercussão, muito se tem falado e divulgado sobre relações pessoais e políticas do esfaqueador com reconhecidos desafetos de Bolsonaro. Há, ainda a esclarecer, por exemplo, a motivação e autoria dos registros de sua entrada na Câmara Federal - distante mais de 700 quilômetros do local do crime - na hora em que golpeava o então candidato. Seria a criação de um álibi? A falta de apuração ou, pelo menos, de informação sobre o apurado, leva à desconfiança popular e enseja conclusões precipitadas e até fantasiosas que, com a facilidade proporcionadas pelas redes sociais, ganham o país como rastilhos de pólvora. Isso não é bom para ninguém, especialmente para a normalidade democrática. Num país efetivamente democrático e responsável, um episódio destes não teria ocorrido e se ocorresse, já teria apresentado os responsáveis.

Mais do que pelo interesse pessoal de Bolsonaro, cuja vida esteve em risco, a saúde ainda é debilitada, jamais se esquecerá das dores sofridas e ainda terá de conviver com possíveis sequelas, há o respeito à Nação. O povo, notadamente o eleitor, independente de sua posição político-ideológica, tem o direito de saber exatamente o que aconteceu e ser informado sobre a identidade dos envolvidos. A Justiça, por seu turno, quando tiver elementos do crime, tem o dever de seguir com as apurações até ter condições de punir os envolvidos para que a consciência nacional se acalme e o povo perceba segurança no ambiente em que vive.

A inimputabilidade do agressor Adélio Bispo, ora definida, em nada deve interferir na apuração e identificação de outros possíveis envolvidos e destes, na justa medida de sua participação, pagarem pelo crime cometido. Apure-se e cumpra-se.


Nota do Editor: Dirceu Cardoso Gonçalves é tenente da Polícia Militar do Estado de São Paulo e dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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