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Medicina e Saúde
22/07/2019 - 07h06
Diabéticos apresentam maior risco de queda
 
 
Qual é a associação entre a gravidade da retinopatia diabética e as quedas em indivíduos com diabetes?

Pessoas com diabetes e danos oculares relacionados, conhecidos como retinopatia diabética, são mais propensas a cair do que os diabéticos que não desenvolvem problemas de visão, sugere um estudo em Cingapura.

“A retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue danificam os vasos sanguíneos da retina, levando à visão embaçada, dificuldade de distinção de cores e perda da visão. A condição pode fazer com que os vasos sanguíneos inchem, vazem, bloqueiem o fluxo sanguíneo ou cresçam anormalmente na retina”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares (www.imo.com.br).

No estudo com quase 9.500 adultos de meia-idade e idosos, aqueles com retinopatia diabética moderada apresentaram quase duas vezes mais chances de cair que os indivíduos com diabetes, mas nenhum dano ocular causou quedas durante o estudo. A retinopatia leve, por sua vez, foi associada a uma probabilidade 81% maior de cair, relatam os pesquisadores no JAMA Ophthalmology. O estudo também apontou que, em comparação com as pessoas sem diabetes, os pacientes com retinopatia diabética apresentavam 31% mais propensão de cair.

“Alterações nos níveis de glicose no sangue causam alterações nos vasos sanguíneos da retina que incham, sangram ou vazam fluido na parte de trás do olho. A retinopatia diabética causa não apenas a perda de visão, mas também redução dos componentes do sistema de função visual do envelhecimento, como sensibilidade ao contraste, acuidade estereoscópica e percepção de cores, o que pode resultar em uma estabilidade postural pobre e maior capacidade de esbarrar em objetos, levando a um maior risco de quedas”, explica o oftalmologista Juan Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.

Aproximadamente um em cada três idosos cai a cada ano, e cerca de uma em cada 10 quedas resulta em lesões traumáticas ou fraturas, observam os autores da pesquisa. As quedas também podem resultar em redução da interação social, menos atividade física e declínio na mobilidade e na independência.

Embora pesquisas anteriores já tivessem vinculado o diabetes a um aumento do risco de quedas, muitos desses estudos se concentravam nos danos aos nervos diabéticos que podem reduzir a sensação nos pés e dificultar a percepção das pessoas de onde estão pisando. Algumas pesquisas também relacionaram quedas à perda de visão, mas não havia clareza se a retinopatia diabética leve ou moderada poderia afetar as chances de queda.

Para o estudo atual, os pesquisadores examinaram dados de 9.481 residentes de Cingapura de etnia malaia, chinesa ou indiana que estavam participando de um estudo maior. Todos responderam questionários que perguntavam sobre eventuais quedas ocorridas no ano anterior.

Cerca de metade dos participantes tinham 59 anos ou mais e 6.612 deles, ou 70%, não tinham diabetes. Entre os 2.869 participantes com diabetes, 857 ou 30%, tinham retinopatia diabética em pelo menos um olho. Os pesquisadores classificaram os casos de retinopatia como mínimos, leves, moderados ou com risco de visão.

No geral, cerca de 13% das pessoas sem diabetes tiveram uma história de queda, assim como cerca de 16% dos diabéticos que não tinham retinopatia. Entre os pacientes com retinopatia diabética, 14% das pessoas tiveram uma história de queda, em comparação com 26% dos casos leves, 27% dos casos moderados e 20% dos casos com risco de visão.

“Esses resultados sugerem que o manejo do diabetes deve incluir informações sobre como prevenir quedas, particularmente para pessoas com retinopatia diabética em estágio inicial”, defende Juan Caballero.

As descobertas ressaltam que, assim como outros problemas de saúde que levam à perda de visão, a retinopatia diabética pode tornar as quedas mais prováveis. “A retinopatia diabética, muitas vezes, não oferece sinais de alerta precoce. Portanto, é importante realizar um exame ocular completo pelo menos uma vez por ano”, orienta Caballero.

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