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Crônicas
10/03/2019 - 06h33
Miúdos de galinha
Dartagnan Ferraz
 

Admito que devemos escrever sobre coisas sérias. denunciando, protestando, criticando com argumentos, enfim, focando em temas importantes, inclusive na crise e na mediocridade da política brasileira.

Mas, por outro lado, acho que não podemos ficar apenas tratando desses assuntos importantes, afinal a vida segue e, afinal, temos que viver a nossa vidinha, inclusive comentando o que os mais exigentes e sérios chamam de assuntos de somenos importância e insignificantes.

Pessoalmente, mesmo participando dos chamados assuntos sérios, dando pitaques sobre os grandes problemas, não consigo deixar de lado as "miudezas", isto é, as coisas do meu cotidiano simples, acanhado e matuto.

Por isso vou tratar de algo bem comum e irrelevante para muitos mas arretado para mim. Foi o caso de umas lapadas que tomei recentemente em Pesqueira (a famosa Ororubá Lendária e Eterna), tirando o gosto com miúdos de galinha. Um amigo que conhece o meu fraco por algumas iguarias tipo de boteco, me convidou e, poke!, me fartei. Para mim miúdos de galinha só tem como tira-gosto um rival: sarapatel. Agora os miúdos têm que ser de galinha capoeira, mas se for de frango também serve, e preparados com banha de porco e muito limão. Depois é botar uma pimentinha esperta e priu. Pode-se também fazer a farofa de miúdos.

É claro que, depois do esquente, fiquei para ao almoço propriamente dito. O que foi servido na casa do amigo? Cabidela, a famosa cabidela sertaneja. Esta só como acompanhada de pão francês novinho, vou encharcando o pão no caldo da cabidela e comendo, como também a carne com feijãozinho com torresmo e arroz soltinho, sem esquecer a pimenta. Detalhe: depois do almoço ainda teve a sobremesa: doce de leite daquele que fica ralinho, acompanhado de uma tora de queijo de coalho com aqueles buraquinhos. Por fim o cafezinho e o licor de jenipapo. Ato contínuo: me estirei numa rede branquinha do Ceará e tirei um ronco.

Ainda comi com outros amigos dobradinha, feijoada, cozido, buchada, bode guisado, costeletas de porco e o escambau de comidas que não posso comer mas nas férias tiro o pé da lama.

Mas voltei ao Recife e, claro, ao regime, carninha grelhada, arroz integral e folhas, uma comida sem gosto, horrível, mas necessária para preservar o resto de saúde.

Ontem, juro, sonhei tomando umas lapadas de Pitu Gold e tirando o gosto com miúdos de galinha. Acordei. Inté.

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