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COLUNISTA
Marcelo Sguassábia
28/01/2019 - 07h02
Vende-se assunto
 
 

- Uns vendem churrasquinho de gato, outros plano de saúde, raquete de matar mosquito, ponkan na beira da estrada, vaga na faculdade. Nós vendemos assunto, item em falta por aí. Cada vez mais em falta.

- Interessante. Bem sortido o seu estoque!

- Esse é o item mais caro aqui da loja - assunto para comentar no elevador do prédio, quando só estiver você e mais uma pessoa, faltando vinte andares para saltar no seu apartamento.

- Compreendo. Substitutos para o “Será que chove?”, né...

- Exatamente, aquele mesmo. Pode parecer banal criar assuntos para esse tipo de situação, mas não é fácil, não. Nossos criativos se flagelam aqui para conseguir sacar algo novo. E, claro, que soe natural e seja inteligente para se falar nesse tipo de ocasião embaraçosa. Ah, e temos assuntos disponíveis em duas versões: para puxar papo com mulheres e com homens, em elevadores com câmera de segurança e sem câmera de segurança.

- Bem customizado o negócio.

- Antes que me pergunte, o pagamento é à vista, não aceitamos cartão. Assunto meu é sempre mercadoria de primeira qualidade. O que não falta por aí é lojinha que vende conversa fiada, para levar agora e pagar quando puder. Mas entre uma conversinha fiada qualquer e um assunto relevante há uma grande diferença, meu amigo.

- Sem dúvida, isso ninguém discute.

- Temos assunto para tudo o que você puder imaginar. Assunto para falar, para discutir, para filosofar, para analisar, para palestrar, para escrever... Enfim, sem assunto ninguém sai do meu estabelecimento.

- Bacana.

- Veja você, com a internet, o pessoal comenta tudo quanto é coisa nas redes sociais. É o que eu chamo de banalização do relacionamento. Com o tempo, o que se tem a dizer se esgota e fica aquele vazio, que para alguns significa um passo para o suicídio. E pra gente é uma satisfação imensa colaborar para livrar tantas pessoas da morte prematura, sabe.

- E essa placa aí, “É proibido tocar no assunto”?

- Ah, é que tem cliente que não se contenta em ver os assuntos expostos na prateleira, tem que manusear. Isso muitas vezes estraga o produto, então resolvemos deixar esse aviso nos modelos que ficam no mostruário. Para ficar mais fácil o cliente se localizar, dividimos a loja em setores: política, economia, futebol, religião, curiosidades e por aí vai. Bom, como eu te disse, da minha loja ninguém sai sem assunto. Vou te presentear com uma lembrancinha por conta da casa. Qual setor você escolhe?


Nota do Editor: Marcelo Pirajá Sguassábia é redator publicitário em Campinas (SP), beatlemaníaco empedernido e adora livros e filmes que tratem sobre viagens no tempo. É colaborador do jornal O Municipio, de São João da Boa Vista, e tem coluna em diversas revistas eletrônicas.
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