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SEÇÃO
Crônicas
09/08/2018 - 07h44
Quem é o seu verdadeiro pai
Maria Cândida Vieira
 

Eu sempre gostei muito do seriado Um maluco no pedaço, protagonizado por Will Smith, no qual ele interpretava um jovem amalucado (com seu mesmo nome) de origem pobre que é mandado pela mãe para viver com sua tia Vivian, o tio Phil e os primos Hillary, Carlton e Aslhey que são bem-sucedidos e vivem no bairro rico de Bel-Air, para ter mais chances de crescer na vida. O seriado até hoje é lembrado por ser o que alavancou a carreira do então ator iniciante Will Smith e pelas gargalhadas proporcionadas pelas situações cômicas. Quem consegue esquecer as broncas do tio Phil, que estava sempre dando uma lição de moral ou berrando com o rapaz, as dificuldades do jovem para se comportar no meio do padrão de classe alta da família e como ele, aos trancos e barrancos, vai se adaptando e amadurecendo?

Porém, ainda que a comédia fosse o tom predominante de Um maluco no pedaço, houve episódios dramáticos capazes de nos emocionar e, entre eles, está o que até hoje é considerado por muitos fãs do ator e do seriado como o melhor da série, A nova desculpa do papai, episódio 24 da quarta temporada, no qual tanto Will Smith quanto James Avery (tio Phil) deram um verdadeiro show de interpretação.

Neste episódio, Will reencontra inesperadamente seu pai, Lou Smith, que o abandonara quando ele tinha apenas cinco anos e, cheio de esperanças de finalmente reconstruir seu relacionamento com o pai, decide lhe dar uma nova chance. São extremamente convincentes o olhar de perplexidade inicial do personagem e a sua mudança de postura neste episódio. Normalmente extremamente extrovertido, Will age de forma contida, revelando ao espectador que não sabe como lidar com esta nova e inesperada situação. A família de Will fica surpresa e preocupada ao rever Lou e tio Phil é o que tem a reação mais intensa, tratando o pai de seu sobrinho com hostilidade agressiva, lembrando-o que nunca procurou o filho durante quatorze anos. Porém, Will está esperançoso e quer acreditar que seu pai voltou definitivamente, passando momentos agradáveis com ele e aceitando seu convite para que ambos viajem de caminhão pelo país no verão.

O que vemos até o clímax final é um verdadeiro show dramático: uma discussão séria entre Will e tio Phil, na qual o jovem lembra que o tio não é seu pai e não pode dizer que ele não irá viajar com seu pai verdadeiro, a dor nos olhos de tio Phil ao ouvir tais palavras; a conversa séria entre Phil e Lou, onde o primeiro lembra ao segundo que ele tem responsabilidades com o filho e não pode largá-lo, principalmente uma segunda vez, após enchê-lo de esperanças, a decepção de Will que acreditou no seu pai e o vê partir de novo, abandonando-o talvez para sempre. Nesta hora, o olhar de Will Smith diz tudo: Lou matou todas as suas esperanças. Foi neste momento que admirei a grandeza de tio Phil que, em vez de dizer “eu avisei”, já que sabia que o pai do rapaz iria decepcioná-lo, apenas se solidariza, mostrando-nos que tudo o que fizera desde o começo fora porque queria protegê-lo de sofrer uma dura decepção.

A cena derradeira, onde Will tenta convencer tio Phil que não se importa, pois conseguiu viver todos estes anos sem seu pai até desabar, perguntar: “por que é que ele não liga pra mim?”, revelando a dor de se sentir rejeitado e abandonado e cair em prantos, chorando como uma criança, ainda hoje faz muitos homens crescidos chorarem e é aí que vemos que tio Phil o ama verdadeiramente e o considera seu filho: ele o acolhe em seus braços, abraçando-o com carinho, como se fosse segurá-lo para não cair, parecendo dizer: “eu ligo para você”. E então, a câmera foca na estátua que Will havia comprado para dar de presente a seu pai: um pai que está segurando no colo uma criança pequena. Tal estátua é muito simbólica e mostra toda a verdade que nós já sabíamos e que talvez Will tenha aprendido neste instante: quem é o seu verdadeiro pai.

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