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SEÇÃO
Crônicas
07/06/2018 - 07h55
Conserta-se
Marina Alves
 

Coisa que jamais poderia desaparecer são as oficinas de conserto. Mas, pouco a pouco, estão sumindo do mapa. Qual seria a razão? As pessoas estão cada vez mais consumistas e dadas às facilidades dos crediários? Com a tecnologia e suas novidades, tudo fica ultrapassado muito rápido? Ninguém mais tem tempo a perder, batendo perna atrás de oficinas... Será? Não sei, pode ser qualquer coisa destas, ou tudo isso junto.

Aqui na cidade, diminui o número de pessoas que mantêm o recurso do conserto. Mas eu não abro mão de tentar recuperar minhas coisas que estragam. Corro atrás e só depois do veredito: “Minha senhora, aqui só um novo”, é que eu desisto e parto para as novidades. A boa notícia é que os consertadores não pararam no tempo, também estão embarcando na era moderna. Alguns, inclusive, já se propõem a consertar disco-voador... (Para o homem, realmente o céu é o limite).

Minha máquina de lavar Brastemp faz bonito: em mais de vinte anos só foi ao conserto uma vez, apesar de ultimamente andar entregando os pontos. Literalmente, ela vem soltando o verbo, ou melhor, emitindo uivos que chegam a assustar a vizinhança (já me perguntaram se estava acontecendo alguma coisa estranha durante uma lavagem de roupa). Quando expliquei a razão do uivo, ouvi um “Ich! Então sua máquina não tá nenhuma Brastemp, hein?”. Apesar de portar a marca, a coitada não tá mesmo honrando a fama, mas juro que dói me desfazer dela.

As oficinas merecem a minha simpatia. É de lá que voltam funcionando perfeitamente, meu ferro de passar, meu liquidificador e panelas de pressão. Lembrando que televisores e aparelhos de som, nem pensar! São totalmente descartáveis, hoje em dia. Sempre vão dar de cara com o “Não paga o conserto!”. Então é correr pras modernidades que não chegam ao tempo da garantia... Estragam até durante o frete, porque não suportam um resvalo sequer do caminhão de entrega.

As oficinas de conserto têm seu encanto, sim. Pelo menos as que frequento. Ainda trazem muito daquele cômodo minúsculo, cheio de prateleirinhas com tudo organizado meio bagunçadamente. Ali as coisas se confundem, se não forem marcadas com o nome do dono, quando entram na loja. É um controle de entradas e saídas bastante arriscado. Imaginem se entregam o ventilador da dona Judite para a dona Rosa? E o da dona Judite tem aquele quebradinho de lado que só ela conhece, claro. Tá armada a confusão...

No começo da semana deixei um ferro de passar para ver se tinha conserto. O rapaz pediu pra voltar à tarde para apanhá-lo. Voltei e não estava pronto. Ele disse “Amanhã, sem falta”. E “amanhã” também não estava. Ele disse: “Na sexta!”. E na sexta, quem disse? Então ele jurou: “Passa daqui a duas horas, que tá pronto”. Claro que não acreditei, mas... Mas, aí começou um temporal que me fez ir pra casa. Foi quando recebi um telefonema: “O ferro tá pronto, a senhora não passou! Nem fui almoçar esperando...”. Pronto! E aí? Quem mais tem esse senso de responsabilidade, de perder o próprio almoço pra esperar um cliente? Ninguém, né? Só as oficinas de conserto costumam ter...

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