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Crônicas
14/06/2017 - 06h55
Viagem a Itaiópolis
Henrique Fendrich
 

Pois foi ainda no ônibus que um colono sentou ao meu lado, puxou conversa e quis saber o que eu estava indo fazer em Itaiópolis. “Vim trazer a peste”, tive vontade de dizer. Ah, eu tenho os modos e os vícios da gente da cidade, e cada visita que faço a um desses recantos do interior de Santa Catarina deve contaminá–los um pouco. Essa gente pacata não está acostumada com os meus silêncios. Mas falei um pouco, falei sobre o tempo, muito embora, para mim, o tempo signifique apenas levar ou não uma blusa, ou um guarda–chuva. Ali em Itaiópolis o tempo é coisa séria, a lavoura depende disso. Estava insuportavelmente quente, e me falaram que isso era bom para quem planta feijão. Pode ser, pode ser, mas eu preferia que estivesse frio, tão frio quanto esteve em 2013, quando chegou até a nevar em Itaiópolis, e eu perdi.

Itaiópolis, para quem faltou às aulinhas de tupi, significa “terra da pedra molhada”. É um tanto perigoso, mas não tanto como seria se fosse Itapecerica, porque aí a pedra seria escorregadia. É, talvez, para manter a tradição que todas as ruas do centro da cidade são de calçamento, um monte de pedras enfileiradas. Há trechos de asfalto, mas só no meio da rua, as laterais continuam de pedras. Tradições! Mas seja dito que Itaiópolis mudou bastante desde a primeira vez que lá estive, há quatro meses. Um restaurante fechou, a igreja foi pintada de outra cor, até um circo chegou à cidade. Houve ainda o caso do banco que foi arrombado e agora funciona provisoriamente em uma carreta. Portanto, também deve haver violências por lá, mas não é todo mundo que acredita nisso, pois contei três carros estacionados com os vidros semi–abertos.

A igreja de Itaiópolis ainda pode ser considerada verdadeiramente cristã, haja vista que não fecha as suas portas para ninguém. Pode–se passar lá de manhãzinha ou às oito horas da noite que ela continuará aberta. Foi justamente em um desses passeios de fim da tarde que vi o céu de Itaiópolis, um tal arranjo de cores e formas que, por um instante, coisa de cinco segundos no máximo, eu senti que havia descoberto o sentido da vida e a minha função no esquema do Universo. Depois, escureceu outra vez. Pena. Voltei então ao hotel, assistindo a um dos vários cachorros de rua itaiopolenses perseguir um carro.

A gente pensa que não, mas sempre tem gente nesses hotéis do interior, mesmo em dia de semana. Geralmente são homens e estão sozinhos, fazem as suas refeições gravemente e então somem, Itaiópolis os absorve de alguma maneira que me escapa. Eu estive às voltas com o cartório da cidade, pois dependo do Estado para montar árvores genealógicas. Só parava para almoçar. Realmente não há almoço grátis, mas todo restaurantezinho do interior de Santa Catarina oferece duas ou três opções de sobremesa gratuitamente – isto é, desde que você almoce.

Que mais? Há algumas informações relevantes que nunca constam em guias turísticos. Por exemplo, lá em Itaiópolis as frutas são pesadas antes de pagar, não adianta chegar direto ao caixa com elas. Pãozinho precisa pedir, não é só pegar – isso aí é um desvio de conduta que só poderia vir de gente da cidade como eu. A peste... Tive a impressão também de que em Itaiópolis se corta muito os cabelos, há muitos cabeleireiros nas três ruas que perfazem o centro da cidade. Vi ainda besouros, eu que já os julgava extintos. Lembrei que eu não os via desde a minha infância. E, para aproveitar este clima, fui ao circo.

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