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COLUNISTA
Marcelo Sguassábia
29/05/2017 - 08h24
Banheiro rima com dinheiro
 
 

Ele, particularmente, não via sentido nenhum nessa história de ler no banheiro. Seja no fato de ir ao WC para ler, ou de ler enquanto não se resolvem pendências fisiológicas de naturezas diversas.

Ainda que até hoje se desconheça exatamente o porquê de se transformar vaso sanitário em poltrona de biblioteca, a verdade é que o hábito parece inerente à raça humana. Dessa constatação, veio a pergunta: como ganhar dinheiro com isso?

Uns quatro dias depois apareceu a resposta, no banho, ao ensaboar o sovaco esquerdo. "Lógico!, gritou ele. Histórias no papel higiênico!!!"

Enquanto negócio, a coisa era realmente promissora. Não só pelo ineditismo do produto, mas também pelo previsível aumento desenfreado do consumo. Se, para uma pessoa, cinquenta centímetros de papel é medida suficiente para determinada função, com a novidade a metragem média poderia multiplicar-se de maneira espetacular, dependendo do interesse do usuário e da capacidade da história em segurar sua atenção.

A "plataforma de leitura" mostrava-se suficientemente versátil para os mais diversos perfis de público. Pessoas não muito afeitas à leitura poderiam adorar charges de dois ou três quadrinhos, mais visuais e com pouco texto. Os amantes de obras-primas da literatura universal teriam à disposição a versão integral do "Dom Quixote" condensada em um rolo de 30 metros, ainda que em letra de bula. Já os praticantes de leitura dinâmica ficariam à vontade para devorar a Encyclopaedia Britannica em uma sentada. Literalmente.

As possibilidades de adequação seriam infinitas. Para motéis, desenhos e fotos pornográficas, relatos picantes e classificados de sexshops e casas de swing. Para asilos, figuras com pontos de crochê e táticas invencíveis no dominó. Para colégios, colas prontas para provas de todas as matérias. Pensou também em uma versão com palavras cruzadas, mas desistiu do intento pela necessidade de caneta e pela fina espessura do papel.

Mais tarde, pesquisando no Google, descobriu que seu lampejo genial não era tão inédito quanto imaginava, nem tão lucrativo quanto parecia. Três ou quatro visionários já haviam se aventurado pela empreitada, sem grande sucesso. Um dos projetos, que chegou a ser implementado nos Estados Unidos no final dos anos 70, contemplava um mecanismo perverso de fidelização do consumidor: a história chegava ao auge do suspense no final do rolo e terminava nos primeiros metros do rolo seguinte, coagindo o usuário à compra de fardos extras. Na época, os gringos acharam que ficariam milionários, mas erraram feio. E estão até hoje enxugando as lágrimas com o estoque encalhado de papel.


Nota do Editor: Marcelo Pirajá Sguassábia é redator publicitário em Campinas (SP), beatlemaníaco empedernido e adora livros e filmes que tratem sobre viagens no tempo. É colaborador do jornal O Municipio, de São João da Boa Vista, e tem coluna em diversas revistas eletrônicas.
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