Em meio a notícias de agressões e estupros em universidades, psicólogo Alexandre Bez fala sobre comportamento abusivo e o que acontece com o psicológico das vítimas
Certas atitudes são tão repugnantes que ao mencioná-las a sensação de desprezo e descontentamento tornam-se indescritíveis. Recentemente temos visto muitos casos sendo noticiados na mídia envolvendo jovens com comportamentos abusivos em relação à integridade física e moral da mulher, muitas vezes em festas ou trotes. Estamos falando de universitários, futuros médicos, que ao iniciar sua vida universitária imaginamos que o pressuposto básico e requerido seja curar e salvar vidas, e não adotar uma postura agressiva e repulsiva, agindo de maneira antagônica ao ideal básico do cuidar e respeitar o ser humano. “O perfil do agressor muitas vezes é o de impotente sexual em uma relação confortável ou normal, caso não haja impotência, temos de analisar outras coisas como sanidade, se é usuário de bebidas ou drogas, entre outros comportamentos.”, explica Alexandre Bez, psicólogo especialista em Relacionamentos e Ansiedade. Muitos talvez não saibam a gravidade de uma agressão como essa, mas o estupro é considerado um crime baseado na categoria de tara sexual, deixando o psicológico da vítima totalmente abalado com uma síndrome de estresse pós-traumático aliado à síndrome do trauma do pós-estupro, ocasionando meses ou anos de tratamentos. Há casos em que o trauma é tão grave que a vítima possui extrema dificuldade em se relacionar novamente, devido a nojo e paranoia ao pensar no ato. “Ainda na síndrome do trauma do estupro sentimentos como: medo da morte em algumas situações específicas ou inespecíficas, sensação de fragilidade, situações recorrentes de choro, agitação, confusão, vergonha, crises existenciais, sentir-se suja(o) com medo, degradadas (o) intimamente, humilhadas(o) e isolar-se dos amigos e família são comportamentos muito comuns.”, explica Bez. Além da justiça, a universidade também possui um papel fundamental nesses casos e a punição mínima deveria ser a expulsão sumária do curso de medicina ou qualquer outro, além do apoio a vítima ao denunciar o crime. “O Brasil assim como qualquer outro país não precisa de novos criminosos e sim de pessoas que entendam o que significa o respeito ao próximo. Para isso deveria existir uma punição mais severa para evitar que novos `Rogers Abdelmassih´, vivam em nossa sociedade”, conclui.
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