Ela:... enquanto o rei repousa em seu leito, meu perfume exala sua fragrância. Meu amor se assemelha a um sachê e mirra entre os seios.(...) Ela: Suave é o aroma dos teus ungüentos. Teu nome é bálsamo derramado; por isso as donzelas te amam. (...) Ele: Melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus ungüentos do que toda sorte de especiarias! (...) Ele: A fragrância de teu vestido é como a do Líbano. Meu jardim, minha noiva, manancial. Teu jardim é fonte de águas vivas, torrentes e aromáticas. Salomão, Cântico dos Cânticos O perfume acompanha a evolução na história da cultura. E, por diversas vezes, durante o seu decurso, contribuiu não somente com o poder de exalar cheiros agradáveis, mas foi apropriado também como estudo da higiene pessoal, do combate de doenças à conservação de corpos. O perfume carrega consigo uma personalidade, faz alusões a sentimentos e a situações, pode evocar e estimular emoções através da memória olfativa. Contribui positivamente com nossa maneira de ser, de como nos vestimos e, principalmente, de como nos expressamos. É a nossa impressão olfativa, nossa marca registrada. A arte na perfumaria pode ser comparada à arte da música e recebe em sua classificação a principal analogia com a linguagem da perfumaria moderna. Cada aroma recebe o nome de “nota” e seu blend (mistura) de notas “acordes” ou “harmonia” da fragrância. Cada perfume tem uma sinfonia própria e aromática onde segue um ritmo olfativo – uma combinação harmoniosa. A diferença da música com a perfumaria, porém, está na representação de suas notas, enquanto a primeira é expressa graficamente com símbolos, a segunda é sentida através do ar pelos três movimentos – do começo ao fim da sinfonia. As notas superiores (saída ou cabeça) são os perfumes imediatamente perceptíveis. As notas médias (corpo ou coração) emergem depois que o primeiro efeito se dissipa. A nota baixa (fundo ou base) persiste em combinação com o meio depois que a parte superior desaparece. As matérias–primas estão relacionadas quanto a sua volatilidade, ou seja, nas notas de saída encontramos matérias–primas mais voláteis como a bergamota. Já nas notas de fundo encontramos matérias primas menos voláteis como, por exemplo, o cedro. As notas de fundo são as responsáveis pela fixação do perfume e, por isso, são compostas por substâncias mais densas e constantes, que se difundem mais lentamente. Portanto, o fixador não é um elemento extra adicionado na fabricação de perfumes. A força do perfume depende exclusivamente da concentração de fragrâncias e matérias primas utilizadas na sua concepção. No sentido literal, a palavra perfume aplica–se somente ao extrato, o tipo de mistura que contém a mais alta concentração de fragrância e menor teor de álcool. Este fator é o determinante na nomenclatura dos mais leves ao extrato. Embora a definição de um perfume possa ser individual, cada pessoa tem seu conceito particular do que é doce, floral, cítrico, amargo, fresco, amadeirado ou verde. Existe, porém, normas internacionais que tem como função analisar os perfumes tecnicamente e classificá–los em famílias olfativas. De acordo com a combinação de ingredientes, as fragrâncias são classificadas dentro de uma grande família, chamada “Genealogia do Perfume”. Dessa forma a genealogia feminina é composta das seguintes famílias de cheiros: · Floral – A fragrância é composta principalmente de flores, como rosa, jasmim, muguet e violeta. Esta família feminina está subdividida em seis outras famílias: Verde, Fresco, Oriental, Bouquet, Aldeído e Ozone. · Oriental – Quando a fragrância é composta de ingredientes que “esquentam” a sensação olfativa, como as madeiras e especiarias, entre elas sândalo, cedro, cravo, canela, pimenta e cardamono. Subdividida em duas famílias: Ambarado e Especiado. · Chipre – Fragrância composta principalmente de flores combinadas ao musgo intenso e madeiras exóticas, como sândalo e raiz de patchouli. Subdividida nas famílias Floral, Amadeirado, Fresco, Verde e Frutal. · Lavanda – Em qualquer classificação internacional, esta é uma família olfativa particularmente masculina. No Brasil em razão de vários aspectos culturais peculiares, ela se posiciona como uma das preferências nacionais no universo feminino. Subdividida em duas famílias: Fresca e Almiscarada. · Floral Doce ou Floriental – Intensa e encorpada direção olfativa, originada no início do século XX. · Edible ou Gourmand Famílias olfativas masculinas · Fougère Royale – Esse grupo foi definido por uma criação pioneira em 1882 pela Casa Houbigant. O legendário Fougère Royale fascinou os nobres cavalheiros parisienses do final do século XIX pelas caçadas organizadas pela realeza francesa em bosques banhados de orvalho. A Casa Houbigant, ousada na época, combinou lavanda (único aroma masculino até então) com notas de musgo, e de madeiras como o patchouli. Subdividido em Fresco, Amadeirado e Ambarado. · Oriental – Especiado e Ambarado. · Chipre – Amadeirado, Couro, Conífero, Fresco e Cítrico. Nota do Editor: Andreia Mirón é coolhunter e coordenadora do curso de pós–graduação “A Cultura do Perfume” da Faculdade Santa Marcelina – FASM.
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