Em meio a cães, gatos, tartarugas, coelhos e porquinhos-da-índia, animais do Grupo de Abordagem Terapêutica e Integrada (GATI), um tipo especial chama atenção. São as aves canoras, principalmente psitacídeos como as calopsitas, que auxiliam no tratamento de crianças e adolescentes da clínica, localizada em São Paulo, capital. A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação – Abinpet (www.abinpet.org.br) apoia esse tipo de atividade, que aprimora o relacionamento entre humanos e animais de estimação e educa a respeito da posse responsável. Desde a década de 1980, Liana Pires Santos executa um trabalho psicopedagógico no qual crianças com necessidade de linguagem, portadores de síndrome de Down, ou com problemas de autoestima e déficit de atenção, se relacionam de maneira especial com esse tipo de animal. “As crianças gostam de imitar os sons dos animais e se identificam com a vulnerabilidade e a delicadeza das calopsitas”. Liana explica que os pacientes passam por todos os animais presentes na escola-clínica, e depois são encaminhados para tratamentos específicos a partir de suas necessidades. Funções cotidianas como retirar e colocar o animal da gaiola, servir água, e a noção de responsabilidade para com o animal, transformam-se em terapia para as crianças e adolescentes. “A importância do toque é muito grande”, explica a especialista, que também é psicomotricista e psicanalista infantil. “Todo ato motor está imbuído de força psicológica. O toque está diretamente ligado à imagem e consciência corporal. Quando a criança toca o diferente, e sente as texturas como as das penas do animal, o impacto é muito significativo. É um movimento complexo que envolve pressão motora, distância do toque e o equilíbrio emocional.” Todos esses fatores são valiosos para elevar a autoestima e consciência corporal. Como resultado, a criança obtém maior controle das ações, e pode escrever e tocar sem movimentos bruscos. “Ocorre um desenvolvimento psicomotor do paciente, e ele obtém uma melhor postura para, por exemplo, sentar numa cadeira sem ocupar o espaço do outro. As ações se refinam”, explica a terapeuta. Entretanto, a relação entre humano e animal de estimação vai além disso. “A ave se torna um depositário fiel dos seus conflitos. É como um violino, você tem que saber tocar. Se não estiver equilibrado, ela não vai para sua mão”.
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